Confiteor

pretérito passado e presente mais que imperfeito

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Nome: Teruska
Local: Belo Horizonte, Mins gerais, Brazil

Um pouco de mim sobre tudo.

Domingo, Fevereiro 15, 2009

CORRESPONDÊNCIA...ou alguma coisa como

Querida amiga,

A burrice me irrita profundamente e a DM é burrice fundamentada, diagnosticada, irreparável e incurável. Penso que seria mais fácil se fosse uma deficiencia moderada ou grave, porque as evidÊncias seriam maiores. No caso dela ainda há o agravante da beleza física e, ao primerio contato, ser absolutamente normal. É claro que as pessoas com quem ela conviveu são mais ou menos tão incapazes quanto e, portanto, incapazes também de perceberem a diferença. Para eles ela é apenas meio doidinha.

Sei que poderia ter tido este comportamento mais cedo, mas enfim, não tenho como voltar o tempo nem as minhas condições. Começo agora e acho que vou me dar bem. Só posso, no caso, esperar pelo melhor. O pior virá naturalmente, sem que eu precise ter esperanças.:))
Posso lhe parecer irresponsável e eu sei que sou. Só não gosto que qualquer um descubra isso. Você, eu não me importo que saiba. A maioria das pessoas não compreenderia uma atitudde tão fria e pragmática diante de uma circunstância que pode parecer uma tragédia, ainda que leve. Eu não acredito nas circunstâncias.(sic) Acredito que posso lidar com elas da melhor maneira que encontro. Da maneira que me for conveniente.E conveniente para mim é encarar a vida como ela realmente é: sem importancia nenhuma. Apenas, algumas vezes, levemente engraçada. Um jogo que não leva a vencedores. Só a perdedores. Onde você não sabe que cartas tem e nem pode blefar. É ela, a vida, quem dá as cartas, quem dirige o jogo, quem ganha todas as partidas. Se você não entender este jogo, se não entender que é uma brincadeira, que você não sabe e nunca saberá jogar para ganhar, tende a ficar infeliz, frustrado ou amargo. Não fomos feitos para ganhar. Só para jogar.

Nâo opor resistência, é o segredo. Espero firmemente ter aprendido, pelo menos, isto. É claro que não sou ingênua a ponto de pensar que não vou sofrer ainda assim. Mas é um sofrimento diferente. Você sofre porque perde. Mas se você tem certeza de que a perda é inevitável, como uma lei, e abre as mãos sem tentar segurar o que não é seu, nunca foi e nunca será, tudo fica inevitavelmente mais fácil. Sofro. Mas sei que a dor não é minha, é parte do meu corpo, da minha condição humana, dos meus instintos, então separo a minha razão da dor e posso, finalmente, não enlouquecer. Enlouquecer, não no sentido banal de adoecer de dor, mas no sentido de não perder a razão mesmo, aconteça o que acontecer.

Ser uma rocha onde batem as ondas que não sei de onde nem porque chegam e permanecer no lugar do meu destino é o que espero de mim. Não mais.É o suficiente para não querer morrer mais cedo e não temer a morte quando vier.
Um beijo carinhoso
Teruska

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

TPM: O DESVARIO DOS HORMÔNIOS


Dez dias antes da menstruação, você muda. Muda não é bem o termo. Você se transforma, de uma hora para outra, numa criatura absolutamente desconhecida para você mesma, quiçá para as vítimas ao seu redor.

Tudo aquilo que no resto do mês não passaria de pequenos e medíocres desvios da sua rotina, se transformam, milagrosamente nas tragédias mais hediondas.

As decisões são intempestivas, o choro é fácil, a sensibilidade fica a flor da pele, uma simples meia atrás da geladeira é tudo que você precisa para decretar a terceira guerra mundial. Cenas açucaradas de filmes sem graça, fazem você chorar desesperadamente. -"Estou enlouquecendo!" - pensa você nas primeiras vezes, e chegaria ao ponto de pedir para te internarem, se a coisa não voltasse ao normal, assim que a menstruação chegasse.

Geralmente, por volta dos trinta anos começa a loucura da TPM. Até então, tudo era perfeitamente normal, antes, durante e depois da menstruação. As mudanças são bruscas e profundas.Se, de repente, na fila do Banco, você acha que as pessoas estão te olhando de uma maneira estranha, vendo-se refletida numa vitrine, acha-se demasiado gorda ou demasiado magra e terrivelmente feia, se seu marido chega em casa e pergunta " que cara é essa?" e você desaba numa choradeira sem fim , bate a porta do quarto aos berros de que ninguém te entende, se não consegue estacionar o carro à menos de um metro da calçada, se chora e se sente ofendida se ele pergunta quem foi seu instrutor, tenha certeza: você está entre os 80% de mulheres que sofrem da famigerada TPM.

Antigamente, a todos estes sintomas dava-se o nome de frescura. "Não existe motivo para mudanças de humor ou de comportamento antes da menstruação". Diziam os médicos, geralmente homens que jamais poderiam entender tais mudanças. Hoje, felizmente, catalogaram tantos sintomas que a TPM virou STM (Síndrome Pré Menstrual) e eles deram o braço à torcer.

Realmente, existem motivos para tanta frescura: a enxurrada de hormônios que invade seu corpo antes da menstruação. Você não está enlouquecendo. Seus hormônios sim, enlouqueceram. Para evitar os exageros, os descalabros, tudo aquilo que te fará morrer de culpa e vergonha quando seus hormônios derem uma trégua, siga as regras:

1) Quando começar a chorar porque a faxineira não lhe deu bom dia, pare um pouco e analise: alguma vez me importei se alguém não foi gentil comigo? Sou tão imbecil a ponto de me incomodar com o mau humor do outro? Se a resposta foi não, você está no período infernal. Se a resposta foi sim, procure um analista, um livro de auto-ajuda, um pai de santo, qualquer coisa. Você não está nada bem, com TPM ou sem.

2) Aprenda a identificar os sintomas e diga para si mesma. É a TPM. Eu não me sentiria assim nos outros dias do mês. Vai passar.

3) Não tome decisões neste período, como por exemplo, pedir o divórcio, mandar seu filho para o colégio interno, telefonar para um ex namorado ( de repente você pode sentir um amor desesperado por ele), cortar os cabelos... dentro de dez dias você ficará horrorizada com o que foi capaz de fazer. E arrependida, o que é pior.

4) Avise toda a família que você está no período da TPM, e peça-lhes que lhe chamem a atenção sempre que extrapolar. Efeitos colaterais: pode ser que você acabe se irritando mais a cada vez que eles te chamem a atenção ou eles podem se aproveitar da situação para cometerem os desatinos de sempre, sem que você possa ao menos berrar.

5) Mantenha objetos pesados (cinzeiros, pesos de papel) materiais cortantes e ou perfurantes longe do alcance da mão ou você pode desencadear uma pequena tragédia. Houve um caso de uma mulher que à simples pergunta do marido "o almoço está pronto?" perseguiu-o durante uma hora com a faca de cozinha na mão.

6) Procure não dirigir nesses dias ou, se o fizer, leve sempre alguém junto para o caso de uma crise histérica no trânsito.

7) Evite sair com ele para festas ou baladas. Certamente você encontrará motivos escandalosos para uma boa briga.

8) Sobretudo não se sinta culpada depois que perceber os desvarios cometidos. A culpa não é sua. É dos seus hormônios. O lado bom da coisa é que você pode culpar a TPM por todas os comportamentos absurdos que tiver ao longo do mês. Desde que mantenha incógnita a data da menstruação. Não é bom?

9) A TPM, dizem, tem cura, ou pelo menos controle. Procure um médico.

10) Siga uma dieta saudável, coma bastante melão ( é diurético, e os edemas causados pela TPM são os maiores vilões da sua saúde pré menstrual), caminhe, caminhe, caminhe! Os médicos são unânimes em afirmar que quem faz uma boa caminhada pelo menos três vezes na semana, está livre dos sintomas mais sérios. Sem dizer que caminhar também evita os sintomas da menopausa.

Domingo, Setembro 21, 2008

Maus Tratos ou Tortura?

Ontem, peguei o bonde andando, numa notícia esdrúxula. Um homem, preso há uns 5 anos - perdoem-me a falta de exatidão nos números – esperava sentença que, absolveria ou o condenaria pelo crime de que era acusado. O crime? Coisinha de nada. O dito cujo cuidava de um velhinho de 82 anos. Uma câmara oculta filmou as atrocidades que o filho da mãe praticava contra um velho. Cenas de deixar qualquer sujeito que tenha mãe – ou pai – estarrecido, enojado, e eu, mais idiotamente sensível, em lágrimas. O indivíduo jogava o velho sobre a cama como um saco de lixo, batia no calcanhar, aberto em feridas, com fúria, e para arrematar, deu um soco no rosto do homem jogado sobre a cama. Em outra cena, como se não bastasse, jogava o velho numa cadeira. E, quando eu digo jogar, é jogar mesmo, como um monte de qualquer coisa, e sua expressão, a do agressor, era de quem esbravejava e gritava.

Ontem o homem foi solto. Uma juíza, uma juíza, meus caros, uma mulher, achou que as agressões não podiam ser consideradas como tortura. No máximo, maus tratos de incapaz, cuja pena total não passaria de três anos. Ou seja, o homem está solto e livre. Sequer pode ser preso de novo! Que diabo esta mulher tem na cabeça? Suponho que não tenha mãe... nem pai.

Interessante é que, logo depois peguei o bonde andando – sempre pego o bonde andando - numa reportagem num presídio dos Estados Unidos. Um jovem de 21 anos é condenado em 500 anos e alguma coisa – novamente não sei os números exatos – e 11 – deste eu me lembro perfeitamente!-11 condenações perpétuas! O sujeito está condenado por 12 encarnações! O crime dele? Assaltos à residências com acusações de tortura aos assaltados. Assassinatos? Nenhum, matar ele não matou ninguém, mas reconhece que as torturas foram cruéis, e que isto ninguém esquece. Ele merece os 500 anos e 11 condenações perpétuas.

Outro jovem de 21 anos pegou 52 anos por uma série de crimes, como dirigir embriagado, drogas, assaltos, nenhuma tortura, nenhum assassinato. Crimes que, diante do nosso Código Penal, são penalizados com alguns anos de recolhimento, nunca cumpridos totalmente.

Você pode dizer que a juíza fez o que podia diante de leis penais arcaicas e protetoras. Não, não fez. E é isso que me deixa indignada. O juiz dá a sentença baseado em fatos e em sua própria convicção. Ela poderia, por exemplo, entender que houve muito mais que maus tratos. Houve tentativa de homicídio com agravantes por se tratar de um velho doente e incapaz. Podia entender que houve tortura, crime hediondo, e seqüencial por se tratar de um cuidador de velhos. Se, num único dia, a câmara flagrou tais atitudes, o que aconteceu antes, no tempo anterior? Não havia, no mínimo, presunção de que tal comportamento era repetitivo? Porque escolher maus tratos, conseqüentemente uma pena menor, e deixar este filho da mãe em liberdade? Se o nosso Código Penal é paternalista e protetor de bandidos, cabe a quem o executa, pelo poder do livre convencimento, proporcionar a pena ao crime praticado. Com um pouco de bom senso, um mínimo de inteligência, e uma boa dose de sensibilidade, livrar a sociedade de vermes como esse, senão para sempre, pelo menos por um bom tempo. Que coisa!

Domingo, Agosto 31, 2008

Vejamos...

Não espero que me leiam. Não depois de tanto tempo. Melhor que não me vissem e passassem levemente, por trás dos muros. Prefiro assim. Exercito meu desejo de solidão, como um velho preso numa caverna. Não me importa nem incomoda o que não existe porque não sei. Quero saber de mim, por mais tempo e com mais ardor. Insisto em cavar mais fundo nesta caverna, mas de costas para a entrada. O que me importa é a saída. Se houver. O ponto exato em que estou é a indiferença. O umbigo do Universo sou eu. Deus sou eu. Sou eu que faço e desfaço o meu destino, como um rato roendo o próprio rabo. Inevitável. Vou acabar em nada como é de praxe. Todos os destinos acabam em nada. Tenho o leme do barco, enfim, mas o mar é tão desconhecido como sempre. Não sei para onde vou e na verdade não me interessa. Comandar este barco é o mesmo que naufragar. O importante é que não me incomoda naufragar ou navegar. É este exatamente o ponto perfeito. O velho no fundo da caverna não sabe o que é esperança e não se alimenta do que não conhece.

Quarta-feira, Março 07, 2007

ESTÓRIAS PARA BOI DORMIR ( Contos de Fábulas)


• Círculo Vicioso ( Ao pé da letra)


Havia outrora um reino muito simpático à primeira vista, porém meio estranho, já que tudo lá era em círculos. As ruas não eram essas retas cansativas quebradas por esquinas, cheias de assaltantes armados. Não. As ruas eram circulares e não iam dar em lugar nenhum, tanto que o nº 1 começava em qualquer lugar e nunca no princípio, porque, como se sabe, os círculos não têm princípio nem fim. As pessoas também não tinham muitos princípios, já o fim, muitas tinham. O bom da coisa é que não existiam esquinas, logo ninguém corria o risco de ser atacado subitamente numa dessas quebradas. Eram assaltados em qualquer parte, no princípio, meio ou no presumível fim. O que também não fazia grande diferença porque grande parte dos assaltantes girava ( é bem o termo) entre os transeuntes e acontecia até de dois sujeitos gritarem ao mesmo tempo: - “é um assalto!”, um para o outro. Mas havia muita ética entre eles e ladrão não roubava de ladrão.
O problema maior de se andar em círculos ( ou num círculo) é sair dele. Ninguém sabia se estava indo ou vindo e muitos ficaram anos e anos sem chegar a lugar nenhum. Tinha também o seu lado bom ( como tudo aliás). Ninguém era obrigado a chegar. Tinha gente que até gostava e passava a vida toda sem nenhuma responsabilidade já que tinha mesmo que andar em círculos. Houve até quem treinasse tanto que acabava encontrando consigo mesmo algumas vezes, o que é um fato bastante inusitado, já que pouca gente está interessada em se encontrar. A maior parte das pessoas, muito pelo contrário, sai de casa, ou, se fica, liga a televisão, o som, que é para evitar este constrangedor encontro. Por isto e por outras a população desse reino descobriu que as ruas podiam ser retas e com esquinas. E que, sobretudo, podiam ter princípio e fim! Era o máximo! Fizeram passeatas que ninguém sabe quanto tempo durou porque ninguém sabia onde era o fim. Deu resultado. O próprio rei já estava meio zonzo de tanto andar em círculos já que rei nunca faz outra coisa mesmo, só para parecer muito ocupado. Desentortaram as ruas, fizeram esquinas, as pessoas chegavam rapidamente onde tinham que chegar, eram assaltadas nas esquinas e, sobretudo, nunca mais se encontraram consigo mesmas, o que foi um alívio para muitos.
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MORAL DA ESTÓRIA: Há gente que prefere dar de testa com um assaltante do que consigo mesma.

Sábado, Fevereiro 17, 2007

O HOMEM NA VERTICAL


Algumas mulheres defendem ardentemente a utilidade dos homens (quando estão de pé). Uns são ótimos para trocar lâmpadas, outros cortam a grama com muita eficiência, e alguns tem uma certa habilidade para colocar o lixo para fora. A dificuldade é eles se lembrarem, com uma certa regularidade ,do dia em que o caminhão passa. Pode ser que o seu, particularmente não sirva para essas coisas, mas com algum treino você pode conseguir que ele seja, pelo menos, independente no que se refere a preparar o próprio lanche, ou virar-se sozinho na cama. Pode dar um pouco de trabalho, mas costuma ser satisfatório. Nem que seja para fazer inveja às amigas.
- O Nicanor? Maravilha de homem! Nunca me preocupo com o seu jantar. Chega em casa , e liga o microondas sozinho. É claro que deixo o prato dentro mas também não se pode querer demais.
Consertar canos entupidos e tomadas que não funcionam parece ser a especialidade destes seres estranhos. A maioria sabe fazer isto de tal maneira que , se você pesquisar, verá que não existe uma só casa de suas amigas em que exista um cano entupido, um curto circuito, a não ser a sua garganta entalada com tudo o que você não pode jogar na cara dele - indiscutivelmente ele é mais forte fisicamente e você esperta o suficiente para não arriscar um sopapo na orelha- e os fios desencapados dos seus nervos, depois de anos de convivência. Se você acha mesmo que a espécime que tem em casa, deveria ficar o tempo todo na horizontal, posição em que de fato, pode ser muito útil, até imprescindível, tente mudar os seus conceitos. Coloque-o na vertical e comece o treinamento.
1) Quando ele gritar pela fresta da porta do banheiro que esqueceu de levar a toalha, finja-se de morta. É substancial para o treinamento, que você não se apiede do miserável, depois do vigésimo pedido de socorro. Deixe-o sair pelado. Não chegue ao extremo de pedir que ele enxugue o chão do corredor. Ele poderia não suportar.
2) Quando ele chegar com um amigo, no meio da semana e sem avisar, para almoçar, sorria o seu mais jovial sorriso, diga que está encantada, mas que já havia marcado um almoço com a Margô. Mostre-lhe onde é o fogão ( é provável que ele não saiba onde é a cozinha). Também é imprescindível que você não se enterneça com seu olhar de cão perdido. É para o bem dele, não se esqueça e, sobretudo, o seu .
3) Faça setas indicando o caminho das meias, dos pijamas e dos chinelos. Se, apesar disso, ele pedir ajuda no itinerário, desista deste particular. Parece que os homens em geral são desnorteados em relação ao destino das meias e cuecas, até por uma questão genética. Engraçado é que, nas ruas, eles preferem se perder e rodar quilômetros inúteis, a ter que parar o carro e perguntar onde fica a Rua Tal. Não procure entender.
4) Quando pedir que você abra a 5º cerveja, enquanto ele vê o futebol na TV, diga-lhe que pegue ele mesmo o seu diabo engarrafado, porque agora você faz parte da Confraria Universal das Mulheres Unidas Contra o Álcool e que o primeiro mandamento do estatuto é : "Jamais abra a 5ª cerveja enquanto seu marido vê futebol, ou ele será inútil também na horizontal". Pelo menos esta utilidade você tem que preservar com unhas e dentes.
5) Se ele insistir que não consegue cortar as unhas dos pés sozinho e pedir a sua ajuda, negue estoicamente. Não amoleça diante das garras enormes que ele vai cultivar só para lhe atazanar e furar as pontas das meias. E não remende as meias.
6) Tire uma manhã de Domingo para ensinar-lhe a usar o liquidificador, a centrífuga, o fogão, a máquina de lavar. Máquina de costura, nem tentar. Ele nunca vai conseguir. Pode tentar ensinar-lhe também a abrir a porta da geladeira e pegar sua própria água. Se vai dar certo? Nunca se sabe. Em alguns casos dá certo. Em outros, dá divórcio.

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007


Sábado, Janeiro 27, 2007

Que coisa!

http://www.falouedisse.com/fd/bb.php?id=c0ra2&p=116975813813884655

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Amor próprio


É duro saber que quem mais me ama no mundo sou eu mesma. Não sou uma pessoa muito amável, portanto seria muito bom que houvesse outra pessoa que me amasse mais do que eu mesma. É certo que cuido razoavelmente bem de mim mesma. Por exemplo, nunca tentei me matar de fato, nunca me bati, pelo menos não me lembro, e sou a única pessoa no mundo que sabe a hora em que estou com fome e que me dá o que comer. Sou razoavelmente boa comigo mesma, muitas vezes acho que sou até muito tolerante. Ao mesmo tempo, não gosto muito da minha companhia. Todas as vezes em que me vejo sozinha comigo mesma, ligo a televisão, pego um livro, ou choro, porque a minha companhia não é lá essas coisas, e me viro as costas, e fujo de mim mesma como o diabo foge da cruz. E, pasme, vou procurar alguém que não me ama um décimo do que me amo, e enfim, me sinto solidamente feliz em outra companhia.

_Que diabo de amor é este?

_Hein?

_Não estou falando com você...

_?
_Estou conversando comigo mesma.

_ Ah!

Se não me amasse tanto, se a minha opinião a meu respeito não fosse a mais importante do mundo, iria pensar que este “Ah!” era muito pouco, quase nada.

_Mas que diabo de amor é este?

_ Responde logo a acaba com isso.

_Responde você!

_Eu sabia! É comigo não é?

Pretencioso!

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

Dia Seguinte...


Meu pai tinha uma fazenda no interior de Minas, bem perto da cidade onde vivíamos que em pouco ou nada diferia de qualquer cidade do interior do século passado. (Nunca antes me senti tão á vontade ao me referir a qualquer acontecimento do século vinte como do século passado!) Bem, passávamos as férias escolares sempre na fazenda que, para nós, meninos, era o próprio éden sem o pecado original. Nos misturávamos aos filhos dos colonos e por isso terminamos por conhecer um pouco da vida e dos sentimentos daquela gente tão diferente de nós. Uma das características que mais me assombrava, era o que, na época, eu chamava de frieza. O homem da família desaparecia por dez anos e um dia surgia na estrada, sem mala ou bagagem, de volta. A mulher e os filhos apoiavam-se na porta, os cantos da boca levantados num quase sorriso, e estendiam a mão para o que chegava, mal se tocavam e não se olhavam nos olhos, murmuravam um cumprimento, e sem falar, a mulher colocava uma caneca de café nas mãos do homem, único gesto de boas vindas. Nem um abraço, nem uma exclamação, como se aquele homem nunca tivesse se afastado mais que dois metros. E a vida continuava como sempre, sem perguntas e sem respostas. Diante da morte, ninguém chorava ostensivamente, era natural como alguém que partisse um dia para procurar trabalho. E a vida continuava no dia seguinte e a partir daí se referiam ao morto como “finado”.

Tudo isto para dizer que, como um colono do interior de Minas, estou voltando sem saber ao certo por que e que desta minha viagem ao exterior de mim mesma não trago explicações. Só vontade de que tudo volte a ser como sempre foi. Um dia seguinte igual a qualquer outro. Café?...

Domingo, Janeiro 07, 2007

Voltando!


Só o layout por enquanto...:) mais um pouquinho e...

Domingo, Julho 02, 2006

OUTRA VEZ!


Brasileiro, sim!
Fico pensando aqui com meus botões: o que teria mudado na minha vida se o Brasil fosse hexa - campeão? Iria conseguir comprar o Porche dos meus sonhos? Seria convidada para escrever uma coluna na Folha de São Paulo? Conseguiria pagar em dia a minha conta telefônica? Meu nome sairia do SPC, escrito em néon nas brancas páginas dos clientes especiais? Os juros do meu cheque especial baixariam para 2% ao mês? Conseguiria passar um mês inteiro sem entrar nele? ( No cheque especial que de especial só tem os juros).Certamente não. Não para todos os quesitos, entretanto me sinto lesada, como se me tivessem tirado a sobremesa, como se, de repente, nunca mais, em tempo algum, eu pudesse esperar por uma coluna na Folha – podia ser no Globo também.
Pela primeira vez nestes últimos trinta dias eu me sinto ridículo vestido de verde e amarelo, como um papagaio bêbado. Palhaço que fui fantasiada de brasileiro como se necessário fosse. Está na minha cara, no meu jeito, até no meu sotaque e, sobretudo, no meu bolso, que sou brasileira. Não passaria despercebido nem em Jacutinga, muita menos na Alemanha. Porque então tive que me fantasiar de brasileiro? Porque de repente meu sangue ficou verde e amarelo e porque eu o derramaria como se fosse água, cheio de ufanismo e galhardia pela pátria amada Brasil, se necessário fosse? Porque este desconforto agora, como se tivesse sido despedido do meu emprego, como se me tivessem negado atendimento no SUS, como se fosse noite de domingo? O que vou fazer com a minha fantasia de brasileiro sem contas atrasadas, sem seca, sem desemprego, sem violência, sem diferenças de classe?
Visto uma camisa qualquer, sem cor, numa manhã de domingo igual a todas as manhãs, só porque não sou hexa - campeão. Brasileiro sim, sem fantasia, em pelo, nu, anônimo e só. Poderia ser javanês, polonês ou turco. Que diferença faz?
......................
Esta foi a matéria de capa co Com Senso em Julho de 1998. Que diferença faz?:(

Quarta-feira, Junho 07, 2006

Um texto roubado

Desculpe-me, amiga, mas não resisti.:)
"...e se um dia você acordasse num lugar estranho,
numa casa que não fosse a sua, cercada de pessoas amáveis e belas que te tratassem bem, falando uma língua estranha que você, surpresa, descobrisse não só que entende mas também sabe falar?O seu marido, que você nunca tinha visto, tá ali, perto de você e seus três filhos(!) te chamam de mãe naquela língua estranha e você nem sabe o nome deles?Respira fundo, tenta manter a calma e finge que está tudo bem.Se ao menos soubesse aonde está! Vem a moça e lhe oferece um suco esquisito e algo parecido com uma fruta.Todos já foram embora e você abre um armário cheio de roupas lindas, mas que não combinam com você.
Levanta, veste uma túnica e sai do quarto à procura de alguma coisa que lhe indique que lugar é esse! Abre uma porta e entra num escritório, se existe um jornal do dia, ele não está lá, mas tem um Atlas, ou algo parecido.Você folheia o Atlas, desesperada, e não encontra o mapa do Brasil, mas parece que nem fotos da Terra existem! Os contornos e relevos são estranhos, pequenos blocos de territórios cortados simetricamente e cercados de água.Você está num lugar fechado, com luz artificial e teme encontrar alguma abertura para o exterior com um céu verde ou cor-de-rosa, sei lá.Então começa a rir, deve estar sonhando ainda, é isto! Viu filmes demais, embaralhou tudo na sua cabeça e sonhou essa besteira. Desliza a mão sobre o Atlas.Sente um cheiro que não consegue identificar.Silêncio total e você se pergunta se já está morta, ou se é você numa outra dimensão, já tinha lido sobre mundos paralelos.A porta se abre e uma senhora simpática sorri e lhe diz que está na hora, mas na hora de que?"

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Se a minha amiga autorizar, direi o nome dela. Se não, fica aqui a minha admiração e o meu carinho.O nome dela é Tereza de Minas.

Sábado, Junho 03, 2006

Gênios!!

O Millôr e o Luiz Fernando Veríssimo são os dois homens mais inteligentes do planeta! Mais até que aquele inglês todo torto com suas teorias sobre o começo do Universo. Mais até que o Einstein, que o Freud, e até, quiçá, mais geniais que o inventor do café expresso. Os homens são de uma inteligencia tridimensional, se é que isto quer dizer alguma coisa. Não me interessa se o Universo começou com um estalido ou com um estrondo, mas me interesssa muito como viver neste mundo sem morrer de raiva. Melhor ainda, como morrer de rir do que é supostamente sério. Benditos sejam.

...
"P - Mas voce nao acha que homens e mulheres são absolutamente iguais em teoria?
R - Em teoria eu acho tudo.

P - Supondo que hovesse apenas uma cadeira à disposição e voce tivesse que disputá-la com uma mulher, como voce se comportaria?
R - Que cadeira - do dentista ou do Senado?"...
(Millôr)

Sábado, Maio 13, 2006

À MINHA MÃE...

Você me amou mais do que pensei alguém pudesse amar. E era tão normal que assim fosse!
Tão natural, mãe, como a cor dos seus olhos ou seu jeito de rir devagarinho, seus passinhos miúdos, seu jeito quase infantil de brincar comigo, quando eu ainda pensava que já era adulta. Aqui, deste lado, a vida sem você pesa. Às vezes, uma voz qualquer tem o tom da sua e eu me espanto esperando ver você chegar, como antes, e ficar silenciosa ao meu lado. Quantas vezes o seu silêncio me irritou e calada fiquei, ostensiva, para que você percebesse que eu estava muito longe das suas pequenas preocupações, que não tinha tempo para você. E você saia, silenciosa, para não me interromper. Aliviada, nunca pensei o que você fez depois. Um dia qualquer eu me lembrava do seu silêncio e ia a sua procura. Era natural que você parasse tudo, desligasse a televisão, colocasse a mesa e me servisse o café quentinho, passado na hora. Era natural que me ouvisse, risse comigo e tantas vezes me consolasse da vida.

Esse, mãe, era o meu tempo, o tempo que me sobrava, o tempo que não fazia falta, a migalha, o pedaço que não servia para nada e que eu dava para você. E você o enfeitava com fitas cor de rosa, toalhas de crochê, cheiro de café e o seu olhar, inteiro, para mim. E me devolvia o que lhe dava com desdém, num precioso e perfumado momento de ternura. Eu saia da sua presença sem saber que levava comigo de volta, costurado e perfumado, o tempo que me sobrava. Eu aplacava minha consciência. Você, naturalmente, me amava.

O que me dói, mãe, é a certeza de que não tenho mais tempo. Que você está tão desmesuradamente longe de mim que nem o seu silêncio me atinge; que seu olhar cansado já olha em outra direção e só hoje, tão tarde, percebo que o único tempo importante na minha vida foi exatamente o que não lhe dei.
.....................
Ilustração:Adrian Martinez