Confiteor

pretérito passado e presente mais que imperfeito

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Nome: Teruska
Local: Belo Horizonte, Mins gerais, Brazil

Um pouco de mim sobre tudo.

Domingo, Outubro 30, 2005

É nisso que dá!

Charge de Reinaldo Ferreira
Aconteceu, vero, juro! aqui em Belô.
Um vigilante, dia depois do referendo, estava vigiando, como é de praxe, quando surgiu um assaltante para assaltar, como também é de praxe. O vigilante, doravante apelidado de Sicrano – que eu não me lembro do nome – deu ordem para o assaltante:
-Pare, em nome da lei!
Como o assaltante, daqui para frente apelidado de Meliante, não ouviu a ordem ou, se ouviu, fez que não ouviu e continuou com seu intento, Sicrano repetiu em tom mais alto e menos educado:
- Ô seu porra! Pare de tentar assaltar, ou você vai ver com quantos paus se faz uma canoa.
O Meliante, surdo, ou simplesmente porque não se interessava por canoas, continuou com seu vil propósito. Dizem as más línguas que ainda riu do Sicrano.
Como o referendo deu ‘não’, Sicrano estava armado e dentro da lei. Sem outra opção, sacou da arma e deu dois tiros para cima com o intuito de assustar Meliante. Não. Não acertou nenhuma rolinha em férias, nenhum pombo alvissareiro, nada. A polícia chegou a tempo de prender o Meliante e o Sicrano. O Meliante foi solto logo em seguida e seguiu o seu destino. Sicrano ficou quatro dias na cadeia, numa cela com mais 25 delinquentes, assassinos, estupradores e tais. Por quê? Ora, porque! Porque pelo estatuto do desarmamento, ninguém pode atirar para o alto em vias públicas. Lei é lei. Por que Meliante foi solto? E eu sei? Talvez porque a vaga que era dele foi ocupada por Sicrano. Coisa de quem chegou primeiro. Talvez porque Sicrano seja um sujeito azarado, ou quem sabe Meliante tem asma e não pode com ambientes fechados e empestados. Sei não.

Sexta-feira, Outubro 21, 2005

Dica

Lá no Carta Aberta tem uma série de exercícios preparatórios para quem vai se submeter a uma mamografia! Vai lá procê ver a descrição mais perfeita de uma sessão de mamografia!

Terça-feira, Outubro 11, 2005

Clotilde e Matilde - o referendo


Sem desgrudar o olho do crochê, Clô perguntou assim como não quer nada:
- Você já se decidiu, Ma?
- Já. Eu não vou tomar esta merda desta vacina contra a gripe.
- Não, Ma. Já decidiu se vai votar sim?
- E eu não tenho que votar, Clô? Não sou obrigada a votar?

Clotilde tinha a virtude de nunca perder a paciência nem o ponto. Já contei que ela faz crochê sem tirar o olhos da televisão? Então. Eu morria de inveja, que não sou lá essas coisas com a falta de entendimento de outras pessoas, para não falar outra coisa e não consigo fazer tricô sem olhar. Sempre achei que Clô tinha parte com o capeta, mas dessa vez ela estava passando dos limites.

-Cê sabe do que estou falando. – Disse com aquela calma de asno debaixo da sombra do ingazeiro florido. (que coisa mais linda!) – tô falando das armas. Cê vai votar sim?

Senti aquela espécie de fogueira subindo pelas orelhas, aquela que pré anuncia o caldo entornando. O chiado nos ouvidos já tinha começado. Tentei não me tornar violenta e neste absurdo perdi uma carreira inteira do cachecol. Mesmo assim, ainda falei num tom meigo, embora a língua estivesse travada nos dentes trincados:
-Clô, fia, não insiste nesse assunto porque a minha paciência está indo pro saco. Vota sim, vota não, vota quem sabe, vota talvez, mas não me torra a paciência com esse assunto, que não sou palhaça!

O 'palhaça' já saiu meio esganiçado, e nem me dei conta a não ser quando Clô me passou um rabo de olho com uma cisma de contrariedade. Comecei a ficar em pânico. E me disse naquela vozinha de avó do chapeuzinho vermelho:
-Não se ofenda, Matilde. Eu só queria saber a sua posição. Posso não?
-Pode! Claro que pode! Tanto pode que já me perguntou a mesma coisa um milhão de vezes e um milhão e trezentas mil vezes eu já respondi que voto Não! E esse papo furado é só para tentar me convencer a votar sim. Pensa que não sei?
-“Um homem que consegue andar com uma arma sob uma camisa não merece o cérebro que tem” – Você me disse isto...
-Não fui eu. Foi o Einstein. E não foi exatamente isto. Foi: “um homem que consegue marchar ao som de uma melodia marcial não merece o cérebro que tem” Ou é mais ou menos isso. Que é que tem uma coisa com a outra? Que é que tem?
- Tudo. Você sempre foi pacifista.
- E sou! Por isso mesmo eu voto não.

A serenidade da Clô? Eu não sei, juro que não sei onde foi parar e como começou a refrega. Antes que eu piscasse duas vezes nós estávamos atracadas no chão, aos berros de vota sim! voto não! até que eu a ameacei com a agulha de tricô em riste, como um punhal.

-Larga isto!! Berrou com sua vozinha de gralha. - Larga esta arma! Larga esta arma! ! Vai ter que me perfurar o bucho para que eu vote não , sua, sua...!! Polícia! Polícia!
-Pois sim! Estou sob forte emoção, e estou armada! Nem o capeta me tira esta arma!

Clô conseguiu pegar a sua agulha de crochê e me deu uma espetada no dedão do pé, que as pantufas já estavam, uma na janela, outra sobre a toalhinha de crochê em cima do rádio. Eustáquio, o gato, escapuliu pela porta por onde entravam os vizinhos, um exército de 'deixa disso' que só vendo pra crer.

Foi daí que começou o referendo “ você quer a proibição das vendas de agulhas de tricô e crochê no Brasil?” Não sei a fonte por isto me recuso a referendar, o fato é que dizem que começou também o referendo “você quer a proibição de biritas e tira gostos no Brasil?” porque as estatísticas tem provado que 50% das mortes nos botecos foram causadas por tira gostos duvidosos e outros 50% por sujeitos devidamente alcoolizados ou pelas mulheres deles.

A Clô e eu fizemos as pazes e achamos por bem concordar os nossos votos. Os dois um NÃO bem positivo, é claro, dada a minha singular capacidade de argumentação, certas de quê não são as armas as culpadas pela violência. No meu caso foi a impaciência. No da Clô, a intransigência. Nos outros casos dizem que é outra coisa. No que eu e a Clô concordamos, pela primeira vez.

E foi assim


Um gatinho morreu afogado na piscina. Um corpo morto, só um corpo. Rígido e frio. Existe alguma coisa de fascinante na morte. Uma ausência sem remédio. Um equívoco da vida. Um doce espanto. Uma poesia que não existe na vida. Definitiva. Não deve ser triste ter morrido. Ter que morrer é que é o inferno.

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Frisson

-Chegou! Chegou!
-Ái, meu Deus! Porque será que me dá esta dor de barriga só de pensar?
-O banheiro ta lotado. Tem fila.
-É sempre assim. Vou me borrar todo. Abre logo.
-Quem tem uma nota aí?
Ninguém tinha. Tinham feito vaquinha e o que sobrara foram algumas moedas que agora não faziam a menor diferença.
-Cartão?... Alguém tem.
-De crédito?
- Ái, saco! De qualquer coisa, de visitas, bosta!
Os quatro se curvaram sobre a mesa, enquanto um deles abria o embrulho minúsculo com ar enlevado.
-Cuidado. Olha aí para não deixar cair. (risinho nervoso)
- Isso não tá me cheirando bem. A cor ta esquisita. Nem é branco...
- Boca, ô Boca!! Te enganaram, trouxa! Isto nem é branco! Ô trouxa! Caralho!
- Como me enganaram? Pode ser diferente a cor, mas que é, é!
- Tem certeza? Como tem certeza?
- Peraí. Deixa eu colocar um pouco na língua.
Silêncio enquanto Bóia Fria, o entendido, experimentava e decretava finalmente:
-É! Misturaram alguma coisa que não é branca, mas é!
-Isso é pó de traque! Nem pó Royal é, que não é branco.
-Tô dizendo, véio! É. Pode cortar um pedaço da minha língua que nem sinto. Ta garantido!
-Então tá. Ta valendo.
-Coloca aí, mano, que tô me borrando.
-AAAAAAAAAAA.....
-Cuidado!! Não faça isto!
-AAAAAAAAAAA....
-Segura! Segura!
-AAAAAAAAAATCHEEEIM!
E a mano véio só não foi linchado porque houve uma disputa tresloucada pela porta do banheiro enquanto o pó de traque se espalhava pelo ar.

(história verídica)

Sábado, Outubro 08, 2005

Luz e Sombra


Quando eu tinha 17 anos me deu o estalo. Porque é que eu tenho que acreditar em tudo que me disseram durante a minha longa vida? Era longa sim, eu tinha 17 anos. Quem disse que se eu fosse boazinha ganharia o céu e se eu fosse má, o inferno? A minha avó. E eu acreditei em tudo. Acreditei até que eu devia ser educada com as visitas, dizer bom dia no elevador para qualquer pessoa, vestir as saias um pouquinho só acima dos joelhos, usar sutian, que vermelho e verde não combinavam, que Deus existia para cuidar de mim, e o diabo para me tentar com tudo o que era bom. Acreditei em tudo, como todo mundo. Odiava a Tia Estela porque a minha avó tinha me contado casos horripilantes de sua vida.

Foi aí que comecei a duvidar de tudo. E tentei ver o avesso das coisas. O mais importante foi a sensação de liberdade. Posso amar ou odiar quem quer que seja, até mesmo a minha avó. Porque teria que amar a minha mãe ou meu pai se não tivesse motivos para isto? O fato acidental de terem me gerado lhes dava a condição de deuses a quem eu não poderia sequer responder mal? Não queimei o sutian, mas deixei de usar, mesmo porque eu nunca tive nada para colocar dentro daqueles sacos esquisitos. Minhas saias passaram a ter menos de dois palmos o que deixou a minha avó com olheiras de tantas noites sem dormir. O tamanho da minha saia era muito mais importante do que o que ia debaixo dos meus cabelos despenteados. Tia Estela, descobri a tempo, era uma mulher doce e amável. É claro que eu tinha acabado de ler Memórias de Uma Moça BemComportada, mas não vem ao caso. Certo é que ali eu comecei a construir a minha própria história, os meus valores , que aliás na época era só um: o que eu quero e o que eu não quero. Certo também que na época eu não poderia saber que qualquer adolescente normal chega a este estágio niilista. E depois volta ao normal. O problema foi que eu não voltei. Fiquei ali com todo o arsenal de dúvidas e algumas certezas. Mas como eu odiava a minha avó! Com que alegria eu sentia o avesso do que deveria!

Hoje, me deu um outro estalo. E tudo que eu mesmo construí de lá até aqui? O que está carimbado na minha cabeça como certo e inevitável não foi de uma forma ou de outra me ensinado, agora não pela minha avó, mas pela vida que me impus? Tem alguma coisa de ranço nos meus hábitos, na minha maneira de ver a vida e os outros. E se, sem aquele furor adolescente, jogar pelo ralo pensamentos e idéias concretas que arquivei sobre mim mesma? Como por exemplo, eu tenho uma solidão impregnada na minha pele como um gen, inevitável? Quem me convenceu disto? Não poderia trocar isto por: eu sou uma pessoa socialmente adequada? E me convencer disto? Ou, eu tenho pavor de envelhecer, por: eu acho envelhecer a coisa mais fantástica do mundo? Porque não? Se me convenci do contrário, posso me convencer do avesso. Não tenho provas evidentes de nada, nunca tive, portanto é só uma questão mudar a direção. Difícil? Talvez, mas vale a pena tentar. Mesmo porque é divertido. E brincar é a única coisa que levo a sério na vida.

Sexta-feira, Outubro 07, 2005

PINGOS

Todos os dias de manhã, bem cedinho, ele vai até a horta e fecha a torneira do irrigador que desde sempre esqueço aberta. Em silêncio, disciplinada e cotidianamente como é o seu jeito. Há dois dias ele vai lá e encontra a torneira fechada. Quando ele vai desistir?

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Estava amando as pessoas com uma ternura de menininha e quase, por pouco, não abracei o carteiro, tanto era o meu amor pela humanidade inteira. Os mais próximos então, sem nenhuma vergonha, beijava escandalosamente, com lágrimas nos olhos de tanto amor. Estou enlouquecendo, pensei e diminuí a dose do Prozac.

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O amor é químico, meu Deus! Que coisa mais infame.

Terça-feira, Outubro 04, 2005

Santo remédio!


Fiquei sabendo por fonte fidedigna, uma senhora nissei - e tenho certeza de que era mesmo nissei, pelos olhos e pela bunda chata – que a maioria de suicídios no Japão é entre adolescentes que não conseguem entrar na Universidade, depois de tanto e prolongado esforço. Lembrei-me de quando tomei bomba na primeira série ginasial e tomei a iniciativa de me matar. Não de vergonha, mas porque era a única maneira de não estudar latim durante mais um ano inteiro. Cheguei a comer duas mangas verdes com um litro de leite. O efeito foi destruidor, mas fui salva pelo Leite de Magnésia Philips, que a minha mãe enfiou pela minha goela abaixo. Vomitei até as tripas e passei o resto do ano tentando convencer a minha mãe de que o Leite de Magnésia foi que me fizera mal e não as mangas verdes com leite. É claro que ela nunca acreditou e eu nunca mais comi manga com leite. Em compensação durante um ano inteiro não tomei leite de magnésia. E nem aprendi latim. Mas passei de ano.

Todas às vezes, durante a minha adolescência, quando eu começava a preconizar uma tentativa de suicídio, como no dia em que tomei gim com vodca e comi seis Sonhos de Valsa concomitantemente. Desta vez, duas colheres de Leite de magnésia me fizeram vomitar todas as minhas frustrações com cheiro de coalhada. Ainda tentei conter a exaltação do Leite de magnésia:

-Mãe, eu ia vomitar de qualquer jeito. Não precisava do Leite de Magnésia.
-Precisava sim. É mais garantido.
E foi assim que curei a minha tendência suicida. Santo remédio, esse leite de Magnésia de Phillips!

As mães desses japonesinhos suicidas deveriam lhes dar uma colher de leite de magnésia de Phillips antes do vestibular ou não sei o quê japonês. Eles saberiam que não é preciso morrer. Basta vomitar.

Segunda-feira, Outubro 03, 2005

EU VOTO "NÃO" MESMO!!


De todas as bobagens que tenho visto, este referendo é o mais ridícula e insana. A compra e o porte de armas já estão regulamentados. Não é fácil comprar uma arma de fogo no Brasil para um cidadão comum e dentro da lei, é claro. A não ser que os organizadores desta falácia jurem pelas almas das próprias mães que os meliantes não terão acesso a nem um traque, eu voto sim. Do contrário, não. Como é que eu vou fazer correr um assaltante gritando bem alto, peguem o revólver, peguem o revólver!? No mínimo o delinqüente vai fazer uma denúncia anônima de que “naquela casa tem uma arma” e até provar que Caçarolinha de assar leitão não é a mesma coisa que Carolina de Sá Leitão, vou estar enquadrada num artigo do código Penal enquanto meu agressor limpa o treisoitão. Na verdade nunca peguei numa arma, em minha casa não tem armas, acho mesmo que armas só servem para matar e nem deviam ser fabricadas. Mas eu não quero que o assaltante que ronda a meu portão saiba disto. Aliás, que ele tenha certeza absoluta de que estou indefesa.

Acabem com os exércitos, acabem com todas as armas, num ato de extremo bom senso e com a ajuda solícita de Deus e todos os santos, façam o milagre. Mas enquanto o mundo estiver dividido entre as duas facções, uma de cidadãos probos e a outra de bandidos, não tirem dos primeiros o direito de escolher como devem se defender. Não dêem aos segundos o boca livre, a festa de se saberem ainda mais poderosos.

Parece aquela coisa do Iraque. Desarmem os homens, posteriormente os esmaguem. Fica bem mais fácil. Ou não?

Sábado, Outubro 01, 2005

CARTA DA MÃE


Já publiquei, mas é tão atual!
(Filó tem quase 90 anos e mora em Pé da Serra, uma cidadezinha de qualquer interior do Brasil. Cismou que é a mãe do presidente e escreve cartas ao Lula - antes era para Fernando Henrique. Mãe é mãe, mesmo que seja a do presidente.)
Pé da Serra, junho de 2004.
Meu querido Lula.
Como tem passado, meu filho? E a Mariza, melhorou? Sentiu falta das minhas cartas? Ainda estou muito enfezada com você, mas diante do que tem acontecido, achei melhor escrever para esclarecer algumas coisas.
Não tenho visto muito televisão, porque você sabe, não posso ver um gato morto que fico deprimida, quanto mais gente. Logo o que fico sabendo é pelo Dó, quando vou a farmácia. Acho ele meio exagerado, mas mentiroso não, e acabo saindo de lá pior do que se tivesse visto o Ratinho,o Jornal nacional ou o Cidade Alerta. O Dô é a única pessoa da cidade que lê todos jornais. A banca fica em frente da farmácia e como ele não tem tido muitos fregueses ( em compensação o terreiro de Inha Lica vive cheio), passa o tempo lendo as manchetes. E espalha as noticias para os gatos pingados que vão lá na farmácia. Como quem conta um conto aumenta um ponto, você pode imaginar que horrores estão espalhando por ai. É claro que, como mãe, não acredito na metade dos boatos que correm em Pé da Serra sobre o que tem acontecido no seu governo, mesmo porque é impossível que tudo isso esteja acontecendo em qualquer lugar deste planeta.

A ultima do Dô foi que um trabalhador foi aí na sua cidade ver se conseguia falar com você. Como todo mundo ele queria um emprego e resolveu apelar. O Dô disse que você deixou o coitado de pé na porta, e que o infeliz colocou fogo nas roupas. Fiquei furiosa e disse para ele que você não deicaria de atender uma visita. que foi muito bem educado e coisa e tal. Ele riu na minha cara e disse que tanto não atendeu que o homem morreu esturricado. E que isso aconteceu na porta da sua casa que por sinal esta caindo aos pedaços. Que se a casa do presidente tem goteiras, que dirá a casa dos simples mortais.

Essa foi a ultima do Dô, agora o pior, é que depois que ele espalhou pela cidade que existe uma quadrilha formada de políticos com conexão internacional para trafego de drogas, o povo de Pé da Serra fez um abaixo assinado pedindo ao prefeito que anexasse Pé da Serra a Colômbia que é mais pacata. O cabo Pires ficou tão traumatizado que deu voz de prisão ao Zé da grota ( ele é vereador ) quando viu uma Kombi descarregando uns pacotes suspeitos na garagem da casa dele. Foi um vexame,Lula! Era a Kombi de venda do Tião macaco, e os pacote eram só sabonetes lux, porque o Zé da grota estava aproveitando uma promoção daquelas pague 2 leve 1( ou contrario, não sei). Juntou gente na porta do Zé, houve até quem ajudasse o cabo Pires a abrir os pacotes. Foi sabonete para tudo quanto é lado! Mas o cabo Pires, não satisfeito, picou todos os sabonetes, aos berros de que as drogas estão ai dentro! Conheço essa gente! Etc e tal. O povo, alarmado e agitado, gritava pega ladrão! Carniceiro! Assassino! Estuprador! Dilhermando de Pé da Serra! E Zé da Grota só não foi preso porque pulou a cerca ( no bom sentido) do quintal da igreja e, por obrigação cristã, o padre Pinto deu lhe asilo político.

Não achei certa toda aquela perseguição ao Zé da Grota, mas ninguém pode censurar o cabo Pires. Afinal, o Zé é vereador mas pode chegar a deputado, que fama ele já fez. E o cabo Pires só quis prevenir. Parece que a carreira política do Zé vai parar por aqui, o que acho até bom, porque o Zé me parece uma boa pessoa. Vai que ele seja mesmo decente e preocupado com bem estar social. Acho preferível ele continuar como professor na Escola Municipal e deixar de lado essa coisa de política. Ele tem dois filhos para criar. Pode também ser porteiro de rendez-vouz, pelo menos seus filhos não terão do que se envergonhar, não acha, Lula?
Cotinha manda um abraço. Seque em anexo a novena de nossa senhora dos impossíveis. Não deixe de ir a missa, não tome gelado e, quando sair às ruas leve sempre sua carteirinha de presidente, porque a polícia não vê cara.
Um beijo desolado da sua mãe. Filó.

Obs. Se for trocar a mobília do palácio, mande aquele sofá velho para mim.Ainda tem conserto. Fica como presente do Dia das Mães, que você nem se lembrou. Releve os erros. Meus óculos estão vencidos.