Confiteor

pretérito passado e presente mais que imperfeito

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Nome: Teruska
Local: Belo Horizonte, Mins gerais, Brazil

Um pouco de mim sobre tudo.

Segunda-feira, Maio 23, 2005

H� UM P�SSARO MORTO NA GAIOLA

Vi o que não devia ver. Deitada com os olhos nas nuvens, livre como uma pássaro morto. Nada doía ou urdia em mim novas memórias. Só o tempo parado, inexato e turvo como se nem existisse. A felicidade beirava a alva renda das nuvens, e eu tentava alcança-la sem me mover porque se o fizesse ela se desmancharia em um nódoa cinza, como chumbo oleoso que acabaria me cegando. E a felicidade é tênue demais para ser alcançada. Muito menos com gestos. Só o silêncio e a ausência dos dois lados opostos, de todos os lados, é que a suporta. Não há espanto, portanto. Com a fina lâmina de um estilete eu a divido em partes pequenas para melhor acomoda-la onde não há espaço. E ela se espalha como papel picado, sem forma, sem nada, sem nem ao menos me tocar. Num segundo, chove. Deitada como um pássaro morto, espio pela fenda do medo que me sobra, a sutil idéia sugerida. Nada. Só o azul vazio. Então eu posso me mover e olhar com nitidez um inseto azul fluorescente pousado na palma da minha mão. Todos os lados estão aqui e ela, portanto, não. Calço os chinelos e ando com o gato se esfregando nas minhas pernas. Todos os sons, todas as cores, todos os cheiros. Todos os desejos. Tudo. Há um pássaro morto na gaiola, uma maçã podre sobre a mesa, um vinho azedo no copo. Todos os minutos passando e recontando a mesma história com o mesmo final. Nada me incomoda, mas há um pássaro morto na gaiola...

Segunda-feira, Maio 16, 2005

Que coisa!

Um policial matou um sujeito sem querer. E se defendeu dizendo tratar-se de um “acidente de trabalho�. Tô besta. Será que ele vai entrar com um pedido de indenização? Quem vai defender o morto?

Domingo, Maio 15, 2005

Recadinho

Domingo ainda me dá um certo desconforto. Nem de tudo consigo me livrar com “uma trouxa de roupa pra lavar�. Estou arrumando a casa – literalmente – e todo mundo sabe o que é isso e no que dá. Foi uma semana de queda de braço, muito pó, muita bagunça, e muito trabalho físico. Foi divertido e o resultado, como disse a Teca, é muito bom. Falta muito ainda, mas o que já está no lugar é esteticamente agradável. Não exatamente como eu queria, mas como eu posso. Então. Quase não tenho navegado e fiquei um dia inteiro sem computador. Leila, espere um pouquinho, pliiise. Nesta semana as coisas devem voltar ao normal e arrumo o seu blog. Também, César, também. Se o freguês não se incomodar com latas de tinta caindo da escada sobre a pintora e é lógico, sobre o piso.:) As vezes a vida imita os desenhos animados.
Bom Fantástico procês, que eu vou ali acabar este domingo pelo Gugu. Não me odeiem por isto.;-)

Terça-feira, Maio 10, 2005

ALBUM DE FOTOS EM DVD

Quer fazer um álbum com as suas fotos para ver em seu aparelho de DVD?

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Com menu, legendas, fundo musical? Eu faço. Se vocês quiserem alardear isso, não me importo não. Fico feliz e agradecida.

Domingo, Maio 08, 2005

SAUDADES

Image hosted by Photobucket.comEu nunca te chamei de mamãe. Nenhum de nós. Mãe. Era só mãe. Éramos muito sisudos para qualquer diminutivo. Tinha um pouco de inveja das meninas que falavam mamãe. Tentei mentalmente algumas vezes, mas perto de você o som não saia e, decepcionada, eu voltava a te chamar de mãe, só mãe.

Depois de tudo, no fim, eu te chamava de mãezinha, quase de brincadeira, para quebrar a falta de jeito. Você me colocava no colo, a cabeça no seu regaço como tantas vezes eu quis e não sabia. E enquanto você mal respirava, cantava baixinho comigo as músicas que me ensinou pequenininha, nas tardes mornas da fazenda. A minha cabeça nos seus joelhos, as suas mãos nos meus cabelos e a certeza de que tínhamos tão pouco tempo. Ainda assim, ali, naquele instante tudo era eterno e eu nem sequer suspeitava como seria a saudade.

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Feliz Dia Das Mães, pra você que é mãe de filhos biológicos ou não, para as mãezinhas todas que não têm filhos, mas que são mães por natureza. Toda mulher é mãe, tenha ou não tenha filhos. Eu acho.

Segunda-feira, Maio 02, 2005

Tarde de Domingo

- Já reparou como o fundo do poço tem mola?
Foi o que disse o Napa, um dos meus amigos do CACO*, numa mesa de boteco, com uma entonação bem filosófica.
-É... retornei, também filosófica, diante de tanta evidência
- Nada como um fundo de poço. É lá que está a saída.
- É... murmurou o Elias sem entender direito.
E a tarde de domingo foi inesperadamente adocicada pelo olhar dos meus amigos, por uma mesa de boteco, pelo frio e a luz de uma tarde de maio. A primeira.
*CACO: Coligação dos Amigos Coligados.