Confiteor

pretérito passado e presente mais que imperfeito

Minha foto
Nome: Teruska
Local: Belo Horizonte, Mins gerais, Brazil

Um pouco de mim sobre tudo.

Segunda-feira, Agosto 30, 2004

CLOTILDE E MATILDE


- Engraçado... tem um negócio novo aqui na conta de luz...
- Cobrança nova, você quer dizer...
- Sei lá. O nome é meio esquisito: “taxa de encargo emergencial.� O que quer dizer isso?
- Ô, C lô, você se lembra da ameaça do apagão?
- Se me lembro. Nós tomamos banho frio por uns três meses e usamos todas as roupas sem passar. Fizemos uma baita economia.
- Pois é. E todo mundo ficou feliz da vida, o governo até agradeceu.
- Uma gracinha. Fiquei até comovida. Que é que tem isso agora com essa taxa de encargo emergencial?
- Tudo. Nós agora vamos pagar por toda a energia que não usamos naqueles tempos. Não é bonitinho? Pediram pra gente economizar, ameaçaram até, e agora veja só, chegaram a conclusão que tiveram prejuízo e quem vai pagar por isto? Quem?
- Uê! Eles, é claro. A culpa foi de quem?
- Sua, Clô! Minha e de todos os brasileiros, essa cambada de “sim, senhor, sim senhor!� Ai, que ódio!

Minhas orelhas começavam a esquentar. Era o aviso. Se tivese parado por ali, não teria perdido uma carreira inteira de do tricô, mas a cara doce da Clotilde é o pavio da minha sandice.
Ela olhou por cima dos óculos, afastou o crochê, analisando, alisou a fileira de pontinhos bege-marfim e perguntou brejeira:
-Tá ficando lindo, não tá, Matilde?

Grunhi alguma coisa e continuei meu discurso até sentir que começava a babar de ódio. Clotilde, que tem a capacidade metafísica de enxergar com todos os cantos dos olhos, observou, sem despregar o olho do crochê:
-Limpa o canto da boca...e liga a televisão. Vai começar o horário eleitoral. E acende a luz! Não quero dar mais prejuízo pra coitada da Cemig.

Foi assim que entramos em uma nova prestação. Desta vez uma televisão de 29 polegadas. A outra já estava meio sem foco mesmo. Clotilde ainda acha que exagerei.

-Você podia ter quebrado o pinguin da geladeira. Ficava mais barato.

Sábado, Agosto 28, 2004

UM LUGAR PARA LAVAR ROUPA SUJA

Um blog engraçado. Esquisito. Um blog onde mulheres ofendidas, raivosas, magoadas, denunciam o sujeito que fez o descalabro, por exemplo, de não ligar no dia seguinte! Me diverti muito lá. Sabe aquele site Par Perfeito? Então. É um site para provocar relacionamentos, acho. E a maioria dos denunciados e das queixosas são de lá. Ai, no Im-Perfeito, elas indicam o nick do indivíduo para a lista dos cafajestes, com comentários cheios de raiva e ressentimentos. E os sujeitos se defendem. E vira uma muvuca danada de divertida. Tem até sínico ( assim mesmo!), e os nicks entram e saem dos Imperfeitos, dependendo acho, das ameaças ou das defesas em prol do “caluniado�. Quem faz a denúncia não assina. Ou seja, qualquer um – no caso uma- pode ir até lá e fazer o maior xingamento de um indivíduo, por qualquer motivo. E inventar também, só porque o sujeito não era o que ela esperava. Até por idiossincrasia. Por brincadeira. Por qualquer coisa.

O que me surpreende é a ingenuidade das mulheres e a posição de vítimas que assumem com o maior gabarito. Se pensam que são menininhas, enganaram-se. São mulheres, adultas, carentes sim, como todo mundo, mas precisavam ser tão ...vulneráveis? Estou sendo gentil e cuidadosa com as palavras e, confesso, ficando velha. Não credito que mulheres se submetam a papéis tão deprimentes. Há uma coisa que não se deve abrir mão em lugar nenhum, em situação nenhuma, nunca: a dignidade. Tô besta!

Sexta-feira, Agosto 27, 2004

HOSPITAL MODELO

O Hospital do IPSEMG – Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais - em Belo Horizonte, foi, outrora, um dos mais bem conceituados do Estado. A situação atual é de horrorizar e embrulhar os estômagos mais resistentes. Meu cunhado seria submetido a uma cirurgia neste hospital. O médico pediu a internação. Era necessário, depois da cirurgia,um ou dois dias no CTI, ainda que tudo corresse bem. Não havia vaga no CTI. O pobre coitado ficou três dias internado esperando, porque se não garantisse a vaga do apartamento para quando surgisse um leito no CTI, sabe-se lá quando teria outra. Desesperado, meu cunhado teve “alta� e voltou pra casa sem a cirurgia que, diga-se de passagem, era urgente. Domingo à noite foi internado novamente – vagou um apartamento - para esperar a vaga no CTI. Segunda de manhã, surgiu o comitê de vagas, apressado:
-Depressa! Depressa! Vagou o CTI. Vamos logo pra cirurgia antes que alguém se aposse.

Cirurgia concluída com sucesso, CTI. Bem, pensou a família, podemos ir em casa tomar um banho, já que ele está no CTI e voltamos amanhã.
- Não. De jeito nenhum. Alguém tem que ficar no apartamento.
- Mas porque?
- O comitê passa, vê o quarto vazio, colocam outro e aí ele vai pra enfermaria, se tiver vaga. Se não tiver fica no corredor mesmo.

Esclarecendo:

  • O hospital tem 36 leitos de CTI, equipados e prontos para o uso. Só 16 estão ativos. O que não tem é funcionário.
  • Existem vagas sim, mais da metade dos leitos estão vazios. A fila de espera se estende, literalmente, do lado de fora do Hospital, gente sentada nas calçados, na sala de espera, nas ruas. O que falta é funcionário.
  • Aecinho, o Neves, não permite contratação. Economia.
  • Agora vai até la na Fabriani e veja a prisão modelo da Suécia.

Terça-feira, Agosto 24, 2004

DA CULPA E DA RESPONSABILIDADE

Minha amiga:
Quando falei em culpa não estava pensando nisto. Estava pensando numa culpa mais ...individual, ou mais psicanalítica, acho, num estado de consciência. Mesmo assim, se você é determinista, você não pode culpar Hitler ou quem quer que seja. Você pode até odiá-lo por tudo, mas não culpa-lo. Quanto a roubar, matar, ou praticar qualquer desses atos a culpa é meramente "civil" ( de civilização) ou "criminal". Há um código prevendo que isto é errado, e o próprio autor pode ou não sentir culpa.

De uma maneira ou de outra a nossa civilização, cultura ou sei lá o quê, prevê que sejamos responsáveis pela dor ou felicidade de outras pessoas. É importante acreditar nisto, do contrário não haveria possibilidade de convivência mais ou menos harmoniosa. Ou seja, nós aprendemos assim: todas as pessoas à sua volta dependem do que você faz ou de como age com elas para que se sintam bem e felizes. Você também só se sentirá confortável neste mundo se as pessoas à sua volta agirem de uma determinada maneira com você. Mas quase ninguém consegue fazer exatamente isto, e daí vem a dor e o desconforto da "vitima". E em algum momento, em muitos, somos vítimas e algozes. Então, se você se sente responsável por um outro, fatalmente sentirá culpa. Isto está tão impregnado em nós, como se fizesse parte da nossa natureza. O homem é um animal que sente culpa. A falta do sentimento de culpa ou remorso ( eu poderia ter feito diferente mas não fiz) é sintoma de patologia grave. Quanto mais responsáveis mais saudáveis socialmente e mais infelizes individualmente.

O homem não é um animal essencialmente bom, ou você acredita nisto? Mas tem um cérebro que consegue aprender a ser bom e generoso, esquematizar suas ações e criar códigos de conduta. Não fosse isso já teríamos entrado em extinção, tal o despreparo. E que carnificina seria a sobrevivência neste planeta! Somos complexos demais, estranhos demais, infelizes demais. Não é fácil desmistificar a aparência de pequenos deuses que nos damos. Enfim, não somos responsáveis por nada, nem por nós mesmos, se existe um deus que pode tudo o que não podemos. E se não existe, somos pretensiosos, arrogantes e tolos de imaginar que temos o controle de uma vida quando não sabemos nada dela. Mais ainda se temos a pretensão de sermos a estrada do céu ou do inferno de um outro.
Em síntese, muito sintética, é isto.:))
Com todo o amor que estou tentando aprender...
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Segunda-feira, Agosto 23, 2004

EU SOU RID�CULA!


Estou morrendo de medo de ser ridícula. Há várias noites não durmo, só tentando encontrar um jeito de não ser ridícula. Ao mesmo tempo tenho certeza de que sou ridícula. Mas não quero ser. Depois de uma dessas noites cheia de suores e pesadelos – o pior deles foi um em que eu descia uma ruazinha de Lyon que é onde eu queria mesmo morar, com um chapéu tão grande que Ana Karenina teve que se abaixar para me dizer bonsoir, e eu lhe perguntei ridiculamente o que ela estava fazendo numa rua de Lyon, e ela me respondeu que não era uma rua de Lyon, aquilo era uma rua de Berlim. Acordei gritando alguma coisa como “quero o meu passaporte!� e decidi parar com aquilo. Resolvi que jamais ia ser ridícula nem que isso me custasse me enfiar num mosteiro de freiras carmelitas descalças. Mudei meus ridículos hábitos, embora eu não saiba exatamente o que são hábitos ridículos. Aliás, nem sei mesmo o que é ser ridícula, mas calculo que não seja uma coisa muito boa de ser. Fui atrás do Aurélio porque não estou aqui para ser ou deixar de ser alguma coisa que nem sei mesmo o que é.

Ridículo. [do lat. Ridiculu] Adj. 1. Que provoca riso ou escárnio; grotesco. 2. Diz-se de pessoa, atitude ou circunstancia que se torna visível por levar ao exagero aquilo que é natural ou apropriado a determinada condição. 3. V. Cômico.

Tem mais, mas chega. Agora que sei o que é ser ridícula na verdadeira acepção da palavra, e estou horrorizada. Sou mesmo ridícula. O meu olho é ridículo. A minha boca é ridícula, meu cabelo é mais ridículo ainda. Sou tão ridícula que quando saio, há um bando de gente sensata, discreta e feliz esperando na porta para rir da minha cara e da papoula amarela do meu chapéu.
Já tentei tirar o chapéu, mas a papoula amarela continua me perseguindo. Pensei em me matar, mas achei que seria ridículo. Pensei até em parar de sair de casa e aí eu seria uma ridícula doméstica, o que não seria de todo mal. Mas o que seria das pessoas lá fora, aquelas sensatas e sérias sem a minha ridícula face exposta? Como iam sobreviver sem o objeto de comparação? Como iam saber que são perfeitas?
Aí vem uma idéia sensata na minha ridícula cabeça: - está te incomodando o fato de alguém que você não conhece achar que você é ridícula?
-Não. Não está. Mas escrevi um post!

Quinta-feira, Agosto 19, 2004

CONTINUO TENTANDO

Eu sei, eu sei que só vou conseguir para de fumar de uma vez. Nada de "só unzinho agora... uma tragadinha só, que é que tem? vou fumar só três por dia..."não funciona, sei que não funciona. Mas diminui bastante, por um tempo, a quantidade de cigarros por dia. Já é alguma coisa, acho. Continuo tentando. Obrigada pelas dicas, incentivo, tudo. Não sei se o melhor ou pior de parar de fumar é começar a sentir todos os cheiros. Tenho um bom nariz, mesmo fumando, mas quando passo mais de 12 horas sem fumar, percebo um mundo desconhecido. Sabe aquele perfume escondido, no fundo de um tronco de árvore? Aquele cheiro de musgo, um cheiro que tem cor, um perfume há tanto tempo não sentido que desconheço. É bom. Deve ter outros cheiros que ainda vou sentir , não tão bons em si mesmos, mas é bom saber que existem. O cheiro das manhãs... o cheiro da lua cheia, o cheiro do meu amor que relembro, enfim, do seu suéter com cheiro de cigarro, a minha cabeça no arco do seu pescoço, o cheiro de sua pele, o cheiro ...ah! Devo estar tendo alucinações olfativas. Ou então aquela velha história de que a cor tem cheiro e de que o cheiro tem cor é verdade. Mesmo sem LSD.

Quarta-feira, Agosto 18, 2004

FUMANDO ESPERO...PARAR DE FUMAR.

Estou parando de fumar há vinte anos. Ninguém pode dizer que não sou persistente e determinada. Porque é que eu não consigo? Odeio cigarro. Odeio mais do que odeio chicória. Não suporto o cheiro, a fumaça e sou obrigada a conviver com isto todos os momentos da minha vida. Fiquei 24 horas sem fumar e acordei chorando como se o mundo tivesse se transformado em uma rua da Suíça no inverno. Profundamente triste. Tive medo e fumei. Passou. Ontem, depois das 18 horas não fumei mais e acordei feliz. Não tinha correlação entre não fumar e a tristeza, pois. Não fumei nas duas primeiras horas desta manhã. São sete horas da matina e já fumei, sim senhor (a). Que tipo de anta eu sou? Uma amiga minha parou de fumar há pouco tempo.

_Como foi que você conseguiu? – sempre faço essa pergunta a quem parou.
-Bem, quando vinha a vontade eu batia o joelho no chão e pedia a Deus que me livrasse da tentação.
E ela nunca me pareceu uma pessoa assim tão ...tão...
-Comigo isso não vai funcionar.
-Porque não? Tenta pelo menos.
-Não dá. Quem sabe um adesivo...
-Que adesivo que nada! Só Deus mesmo!
-Desde quando você é assim...quer dizer... não conhecia este teu lado.
-Ora, Tê, sempre fui muito.... muito...

Não argumentei mais. Tive medo de perguntar qual a religião e que Deus ela usou para parar de fumar. Não queria ouvir a resposta, mas suspeitei.
- Estou pensando em ser budista... budistas não fumam.
- Pelamordideus! Não entra nesta! Domingo eu passo aqui e vamos juntas ao culto. Vamos ver se você não vai conseguir a libertação.

Eu sabia!

Sexta-feira, Agosto 13, 2004

CONCOÇÔ? PRONCOVÔ?

Está cada vez mais difícil acreditar que não sou o resultado casual de uma malfadada combinação de efeitos químicos, sem nenhuma parcela de culpa ou responsabilidade. A merda toda é o cérebro que me faz pensar nisto. E a maldita consciência que não sei de onde veio e se vai para algum lugar. Nem se serve para mais alguma coisa além de me atormentar. O César fez um magnífico texto onde questiona a utilidade das coisas e um sentido para a vida. Eu não quero um sentido para a vida. Só espero um sentido para a morte.

Quarta-feira, Agosto 11, 2004

FAÇA O PAI DOS MEUS FILHOS FELIZ ( QUEM? EU???)

Dia dos pais recebi um e-mail. Estranhei o teor, tem assinatura, e é claro, o meu endereço. “agora você será a responsável em fazer o pai dos meus filhos feliz, lhe peço isso, mesmo sabendo que é lhe pedir demais, visto que nem o legado de ser mãe DEUS lhe concebeu.�Achei engraçado sobretudo porque foi um engano. Eu não sou ou não seria a destinatária da mensagem, por um motivo óbvio: não estou namorando nenhum pai. Não que eu saiba. Aliás, não estou namorando nem pai nem filho de ninguém. Muito a contragosto, é claro. Mas uma coisa me chamou a atenção: a pobre mulher, a coitada infeliz que vai ser obrigada a fazer um homem feliz, também não teve filhos. Temos isto em comum. Pouco? Pode ser, mas fundamental.

Só queria esclarecer à mãe dos filhos do meu suposto namorado que Deus não me negou filhos, mesmo porque eu nunca tive uma relação muito íntima com Ele. Escolhi não ter filhos. A intenção foi: se não acho a vida neste planeta nenhum bem, se tenho um profundo desconforto em estar viva, porque estranho egoísmo colocaria aqui mais alguém? Se nada nem ninguém me convenceu de que vale a pena viver, porque faria isso com alguém? É o meu motivo e Deus não tem nada com isto, mesmo porque nenhum Deus, não da forma que conceituo Deus, tomaria uma decisão destas por mim. Nem seria um castigo; seria um alívio. E parece que a missivista queria me ver castigada. Não teria que ter evitado da forma humana um filho que nunca tive. Adotei dois. Por eles eu não tenho culpa alguma. Já estavam feitos. Minha amarga "amiga": não coloque Deus nesta história. Ele pode ficar irritado. Não sei quem está com o pai dos seus filhos. Não sou eu. E agora estou com uma vontade enorme de estar. Só para lhe dizer que não faço ninguém feliz, não sou Deus, e sou responsável mal e porcamente por minha própria felicidade.
Pensando melhor... eu não iria namorar um pai de filhos cuja mãe fosse alguém como você! Vá catar coquinhos! Era só o que me faltava!

Esse tal de Multiply é bom dimais!

Acho que vou me mudar para lá. O negócio é prático e junta tudo num só. Vai lá procê ver!
..................
apideite _ Vai não! O negócio tá fora do ar para manutenção.

Terça-feira, Agosto 10, 2004

UM DIA IGUAL AOS OUTROS E UMA PEQUENA DIFERENÇA

Num dia qualquer você acorda, começa a viver o seu dia como os mesmo milhões de dias que já viveu, atende o telefone com má vontade e acontece. A vida te dá uma bofetada. Aprende de uma vez que você não tem o controle de nada. Você se sente traído. Mas traído por quem?
_ Sabe aquele exame que P. fez? Pois é. É câncer.

Você para o que estava fazendo, pensa no que pode dizer e não encontra nada. Nada mais tem importância. Nem o sol, nem o frio, nem encontrar o erro no html, nem o a sua irritação, nada. Tudo ficou reduzido a uma certeza: nada tem importância se um dia qualquer você recebe uma sentença e um script do que vai ter que viver daí pra frente. Você pensa nas pessoas que estão intimamente envolvidas, na sua própria inépcia, na sua impotência, e no desejo de voltar um dia e ficar nele, com suas pequenas misérias, pregar todos os ponteiros de todos os relógios, para que tudo fique cotidiano, imutável. Você já conhece este roteiro. Até a pequena fagulha de esperança:

- Não pode ter havido algum engano?
Não. Não pode. Tão banal, tão banal. Porque é que a gente não se acostuma?
Eu sei que isto não é necessariamente uma sentença de morte. Mas pode ser. É o momento em que você sabe que já nasceu condenado. Porque é tão difícil viver como se fosse mortal?

Segunda-feira, Agosto 09, 2004

É a última vez que mudo o template. Juro...prometo. Até a próxima semana. Não posso mudar todos os dias? Too Happy 1 Tipo capa de jornal... Lol






Domingo, Agosto 08, 2004

A INVENÇÃO DO PAI (Por J. Stapafúrdio Soares, etc. etc..)

Conta a história que quem inventou o pai foi uma mãe, porque antigamente, muito antigamente, não havia pais, só mães. Hoje é muito comum gente que não tem mãe, tendo em vista o grande número de juizes de futebol, os políticos e outras espécies desprezíveis, acho que pela falta de mãe. No trânsito é muito comum essa aberração. Já vi muito sujeito com a cabeça para o lado de fora do carro berrando: _ Cê não tem mãe não, idiota? _ O inquiridor continua na dúvida porque a resposta nunca é positiva ou negativa, muito pelo contrário. Pai ninguém pergunta se o indivíduo tem, porque é fatal: pai, todo mundo tem. A dúvida é a mãe. Bem, nem sempre foi assim. Só existia mãe. Até que uma dessas, desesperada e com 8 filhos, teve uma idéia. Precisava encontrar alguém disposto a dividir a enorme carga de educar e sustentar os filhos. E tinha que ser mais macho que ela pra agüentar o rojão. Saiu às ruas, pesquisando. Tinha que ser alguém com cara de pai, mas contava já com a famosa intuição feminina. O primeiro varão com tal característica foi abordado com voz melodiosa:

_ O Sr. aceita ser o pai dos meus filhos?
O abordado arregalou os olhos:
_Mas eu nem estou apaixonado pela senhora!
_ Isso é o de menos. Aliás, é até bom que seja assim, porque vamos começar pelo fim. O Sr. tem cara de pai.
_ O que é ser pai?
_ Ser pai é padecer no parai...não... acho que isso é ser mãe. – Murmurou a mulher meio na dúvida, mas logo se refez, entusiasmada:
_ Ser pai é levar os meninos no final de semana para empinar papagaio. É ir nas reuniões de pais todos os meses. É chegar à noite do trabalho, esbodegado, e ajudar no dever de casa. É revezar de madrugada nas mamadeiras do menorzinho e, de quebra, pagar as contas do armazém, dos médicos, o aluguel.... Ah! E comprar presentes nos aniversários, no Natal, sem esquecer a Páscoa...
O sujeito olhou a mãe com desconfiança:
_Bem, agora me fale do lado bom dessa história.
_ O Sr. me pegou de surpresa... espera um pouco, deixe-me pensar....
Os quinze segundos que ela parou para pensar pareceram uma eternidade.
_ Ah! de bom é que o Sr. vai ter filhos!
_Isto a Sra. Já disse. Quero saber o que vou receber em troca de ser pai. Há de convir que é uma trabalheira dos diabos!
_ A mesma coisa que uma mãe recebe, ou seja: nada.
_ Como nada?! – Berrou indignado – Então a Sra. me propõe um negócio desses sem nenhuma compensação?! Nem mesmo um salário mínimo? Um cheque pré-datado? Uma gorjeta? Nada?!

Os olhos da mãe se encheram de lágrimas porque desde esse tempo mãe chora por qualquer coisinha. E, desde esse tempo, homem não pode ver mulher chorar sem se enternecer pelo menos um pouquinho. Arrependido de sua destemperança, o projeto de pai desculpou-se envergonhado:
_Perdoe-me, Sra. mãe, mas esta história deixou-me desnorteado. Vai ver esse negócio de ser pai tem alguma compensação, a gente é que não raciocinou direito.
A mãe, enxugando as lágrimas, sorriu meio sem jeito:

_ É, tem que ter. Quem sabe um beijo dos filhos, de manhã, antes de ir pro trabalho?
Ele sorriu, mais para vê-la menos infeliz do que por estar convencido. Pensava em algo assim como 5.000 dólares por mês.
_ E outro antes de dormir? – Disse, para ajudá-la.
_E o boletim da escola todo azul?
_ E a vozinha deles me chamando de papai?
_E o riso, como um riacho, cantando nos seus ouvidos?
_ E vê-los crescer até chegarem a ser homens?
Cada vez mais entusiasmados eles iam intercalando todas essas pequenas emoções que fazem a vida dos pais.
_ Os primeiros passos...
_A primeira comunhão...
_ 5.000 dólares por mês seria mais que justo...
_Como?...
_Nada, nada! E as ... os...
_Então o Sr. aceita?
_Aceito!

O homem ainda achava que 5.000 dólares seriam compensatórios, mas aceitou de graça a importante função. Talvez no futuro, quem sabe?
O primeiro pai terminou num asilo, que já existia nessa época somente para as mães. Morreu só e empobrecido de tanto pagar contas, sem nem mesmo um beijo dos filhos, que cada um foi viver a própria vida, como é costume ainda hoje.

MORAL DA ESTÓRIA: Ninguém sabe até hoje qual a compensação por ser pai, mas não há quem não queira ser.

E por assim ser...Feliz Dia dos Pais!

Quarta-feira, Agosto 04, 2004

SÓ-KRATIS – ETICA (IN) MORAL (by J. Stapafúrdio Soares, presidente e único membro da ABEI, etc., etc..)

Em mais ou menos 500 anos a.C. vivia num país muito bonito e invejado por causa, sobretudo, dos seus deuses ( Baco é muito festejado ainda hoje), um bom, sábio e pobre homem ( pobre porque não existe nenhum homem bom e sábio que seja rico e vice versa). O nome dele, se não me engano, era Só-Kratis de Tal. Só-Kratis era mais ou menos solitário em sua vidinha simples e comedida, sem um centavo, mas feliz. As pessoas menos sábias já viviam naquela época, bastante preocupadas e infelizes.

Só-Kratis freqüentava uma taberna na esquina da sua casa, onde bebia diariamente meia taça de vinho - porque a virtude está no meio - e não passava disso e de observar os bêbados e os chatos que naquele tempo já eram a população dos bares. Uma tarde pensou lá com seus cordões porque os botões ainda não tinham sido inventados:
-E se eu tentasse ajudar estes zumbis a entenderem o verdadeiro significado da vida feliz?

Só-Kratis teve essa idéia brilhante porque só bebia meia taça de vinho ao dia, o que era muito saudável e até evitava a esclerose, pois que já ia numa idade bastante avançada - cerca de 35 anos- e, como se sabe, qualquer excesso torna o homem incapaz de qualquer idéia. Assim pensou e assim o fez. Em pouco tempo Só-Kratis reuniu em sua casa um bando de jovens atenienses de boa índole, ex -freqüentadores das tabernas e das orgias que andavam muito em moda. Passavam o dia dialogando. Portanto, Foi Só-Kratis quem inventou o diálogo, palavra bastante deturpada nos dias atuais pois serve para ,inclusive, designar bate-boca, quebra-pau etc.

- Calma aí, que a gente só tá dialogando! - É o que todos dizem assim que a polícia chega. Bom, mas voltando à vaca fria, Só-kratis amealhou uma boa parte dos jovens, que pela própria natureza são bastante vazios, tendo sido, por isto mesmo, fácil encher-lhes as cabeças com ética, moral, princípios virtuosos, o meio termo, enfim, tudo que fazia o “homem superior “, coisa que, sem querer ser cansativo, ficou fora de moda rapidamente.

Atenas ficou uma chatice! Sem contar que muitas tabernas fecharam, as orgias já não contavam mais com os belos jovens atenienses e até o comércio caiu, vejam vocês, porque os freqüentadores da casa de Só-kratis não davam mais importância às grifes e outras veleidades. Só queriam filosofar.

A Grécia se uniu contra Só-kratis (isso não muda nunca!). Os boatos fizeram o que os boatos fazem:
-Só-kratis? É um homossexual.
-Sabe o que ele faz com aqueles lindos garotos? Pois é.
-Está acabando com a juventude grega.
-É um revolucionário. Estão dizendo que está treinando os meninos em guerrilha urbana.
-Vai tomar o poder.

E Só-Kratis foi preso, humilhado, achincalhado e por fim, condenado à morte. O dono da taberna que ele freqüentava se incumbiu prazerosamente de dar cabo da vida do sábio, depois do prejuízo que lhe causara. Fez um coquetel com vinho Chapinha, uisque do Paraguai, Vodka mexicana, cachaça da roça e algumas gotas do licor de Pequi que a sua mulher fazia. Obrigou o sábio homem a beber. Suas últimas palavras foram:
- O nobre amigo poderia ter colocado pelo menos um pouquinho de Moet et Chandon...


MORAL DA HISTÓRIA: Não queira fazer de um homem estúpido um “homem superior�. Nunca vai dar certo!


Segunda-feira, Agosto 02, 2004

H. L. MENCKEN E O MEU AMIGO G.


Trabalhava numa agência de propaganda quando conheci um garoto de 20 anos. Foi colocado numa sala perto da minha, pelo dono da agência que, contra todos os seus desejos, era seu cunhado. Ficamos amigos. Fazia o segundo ano de medicina, desistiu, fez vestibular para Direito, passou, e hoje é Juiz, suponho, porque nunca mais ouvi falar dele. A nossa ultima conversa foi por telefone, ele sentado no vaso do banheiro, enquanto me contava com detalhes o júri dos meninos da cidade Universitária de Viçosa, MG. Os garotos mataram um professor universitário, homossexual. Eram quatro meninos de classe média alta, com um advogado de defesa dos mais caros do país, e G., recém formado, acusava. E conseguiu condenar os garotos, acreditem. Me disse, sentado no vaso, que faria concurso para juiz, pelo que pude ouvir, junto com o barulho da descarga. Era uma mente rara. Com a saudade dele, guardo um livro que me deu de presente: “O livro dos Insultos ‘ de H. l. Mencken�, com aquela solenidade dos meninos:

-Tenho certeza de que vai gostar.

Gostei. Gostei tanto que passamos algumas noites no boteco ao lado da agência falando de Mencken e seus insultos. G., nos seus vinte anos, era incapaz de ver em Mencken senão o monstro erudito, brilhante, irreverente e colocava-o no altar dos seus deuses.

-Brilhante, sim, G., mas um neurótico, um maluco que gostava de desafiar e se divertia com isso. Vai ver a mãe dele obrigou-o a comer cebolas quando criança.

G. não se irritava com a minha natural inquisição, aquela que colocava na fogueira todos as suas certezas. Ele tinha vinte anos. Eu não. Era o que nos separava e nos unia. Ele vinha com o fogo e eu com a água. Não apagava o incêndio, mas transformava, às vezes, em brasas, o que era menos trágico.
- Mencken jogava com as idéias e de todas as suas certezas – e isso é o que mais me incomoda – a única que lhe deu cordas foi a estupidez humana. Essa era a peça chave do seu jogo. A que ele nunca perderia. Um mal - humorado brilhante.
- E era americano, é o que me espanta.
- Mas filho de alemão, é a diferença.

Tá. Não se incomodem com o preconceito evidente. De alguma forma, Mencken já nos influenciou .Nos perdemos de vista, G e eu. Mencken ficou na estante, estico o braço e pego. G. eu não sei onde se meteu e estranho que nunca mais tenha ouvido falar dele. Não posso imagina-lo na vala da mediocridade. Um menino tão brilhante. Vai ver a mãe dele obrigou-o a comer cebolas quando criança. Acontece. Uns se transformam em Mencken, outros não têm forças suficientes para romper a falsa malha do talento e ficam, estagnados, tentando a normalidade. E G. nem mesmo é americano.

Domingo, Agosto 01, 2004

Surf The WebPARECIA PERFEITAMENTE NORMAL...(*)
O sujeito do Blog do Romance fez uma lista de dois mil e lá vai pedradas (*) clichês literários. Imprimi. Não consigo ler no monitor, na esperança de (*) decorar para escapar ilesa(*) dos tais(*). Cedo ou tarde(*) todo mundo cai na armadilha (*), a não ser que(*) faça um esforço sobre- humano(*) o que, no mínimo(*), torna o ato de escrever uma luta encarniçada(*) um castigo impiedoso(*). No fim das contas(*) aprendi um pouco. O Homem Chavão bem podia fazer uma excursão ( eu não disse incursão) no blog do Romance. Tem um baú de chavões lá! Uns até que nem me passou pela cabeça(*) fossem. Mas são. Na pior das hipóteses(*) , entre tantas outras coisas(*) você tem um enorme contingente(*) de expressões que dá para escrever um livro. Só com clichês! Quando me dei conta (*), tinha escrito um post . Não é de todo ruim.(*) Lol
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( As expressões com asteriscos são clichês da lista do Blog do Romance)