Confiteor
pretérito passado e presente mais que imperfeito
Quem sou eu
Um pouco de mim sobre tudo.
Sexta-feira, Abril 30, 2004
Terça-feira, Abril 27, 2004
CORREIO
Belo Horizonte, junho ...(há muito, muito tempo.)
Querido amigo,
Esta noite não dormi. Passeia-a inteira lendo Memórias de Uma Moça Bem Comportada de Simone de Bouvoir. Amanhecia quando saà de casa. O Marguerita abria as portas, entrei e pedi um Martini. O garçon, com sono, me olhou estranhamente e me serviu, no balcão. Uns bêbados na mesa ao lado me olhavam como se não me vissem. Esperei ser violentada por suas gracinhas, mas não fui. Sai, meio zonza, não tinha comido nada, e andei até a escola. Atrás de mim não existia nada. Nem na frente, porque o prédio estava fechado.
Sentei-me na escada e esperei. Não li, não fiz nada. A moça bem comportada me lavou o cérebro e eu via a vida de outro jeito. Eu era o centro do universo, o umbigo do mundo e, se fechasse os olhos, nada existia. Era estranho e bom pensar nisto. Ou não pensar nisto. Só sentir. Tinha vontade de rir. O que tem importância, afinal? Eu? Mas eu porquê?
Acendi um cigarro e traguei violentamente. A vista escureceu e veio a náusea. Achei que ia morrer, subitamente, na escada da escola, sem ninguém para testemunhar e vomitei. Tinha que comer alguma coisa urgentemente e não tinha um tostão. Que estranha solidão me invadiu! A minha cabeça começou a doer, doer com a violência que eu bem conheço. Voltar para casa me parecia impossÃvel. Mas eu não podia ficar ali, e comecei a andar. Aquilo me parecia a pior e mais exaustiva tarefa que eu já empreendera.
A moça bem comportada já não tinha nenhuma importância. Importante era o meu corpo, a minha náusea, as minhas pernas bambas. Foi uma eternidade até ver a portaria do prédio, quando então me senti salva. Entrei, comi avidamente um pedaço de pão envelhecido e caà na cama onde dormi a manhã inteira sem ser perturbada por vovó. Antes, eu chorei um pouco. Me sentia a mais só de todas as criaturas. Nada, nada mais tinha importância a não ser uma mão que me acalentasse e me livrasse do medo de existir e de subitamente não existir mais. Como poeira soprada por um deus qualquer. E adormeci sem sentir, o que acho, é a mesma coisa que morrer.
Como a vida está confusa, W.! Como eu gostaria de não estar aqui, de não viver aqui, de estar em T..., há dois anos atrás, quando andar descalça na areia quente, ou não correr da chuva era a minha mais séria e mais trágica rebeldia.
Tristemente, sua sempre...
Segunda-feira, Abril 26, 2004
POIS É!...
Deve haver alguma falha séria em minhas conexões neuronais. Tá, eu sei que vocês já viram vestÃgios disto mais de uma vez aqui, mas agora a coisa é séria. Só depois que a Bia disse que pelo que ela tinha entendido era para postar a frase inteira -aquela brincadeira de abrir o livro na página 23, etc... - é que deu o clique. Ué! Não é que é mesmo? Eu entendi que era para postar o que estava na linha 23. Porquê? E eu sei lá? Aà me veio à memória um fato que me aconteceu quando eu tinha sete anos de idade e que me deixa vermelha até hoje.
Eu estava fantasiada de anjo, naquelas festas de maio, no alto de um altar, com uma rosa nas mãos postas, como convêm a um anjo. A Catedral cheia, inclusive cheia do olhar orgulhoso da minha avó, na primeira fila. Do alto parecia que o mundo inteiro estava com os olhos pregados em mim , ainda que houvesse duas fileiras de anjos e o foco principal deveria ser a Nossa Senhora no meio para ser coroada. Durante a coroação, os anjos menos graduados, entre eles eu, deveriam desfolhar as rosas, lentamente, sobre o altar, fazendo cair uma chuva delicada de pétalas.
Enquanto eu me concentrava neste trabalho, a minha avó fazia gestos desesperados para mim e eu não entendia nada. Achei que era para cantar mais alto e me esgoelei o quanto pude, mas ela continuava a fazer gestos com as mãos e agora já estava de pé, desesperada. A música acabou e os anjos começaram a descer a escadinha. Eu não me movia, e os anjos ficaram entalados na escada atrás de mim , me cutucando para que eu desobstruÃsse o caminho.
-Ainda não acabei. – Falei baixinho, enquanto a minha avó abria caminho para me puxar pela mão. Quase me arrastou enquanto eu ainda atirava a última pétala da rosa para a santa.
-Porque você não fez como as outras meninas? Não era para jogar as pétalas uma a uma! Era para jogar len-ta-men-te, mas não uma a uma!
Foi horrÃvel. Só não chorei, porque desde esta época eu não chorava em público. Nunca esqueci o vexame. Fiquei muito tempo tentando entender porque uma coisa tão simples – afinal todos os anjos entenderam o que seria lentamente – me soou completamente diferente. Devo ter ouvido a palavra ‘retardada’ porque ela ficou me martelando a cabeça até hoje.
E isso aconteceu ao longo da minha vida. Vez ou outra me dou de cara com aquele anjo despetalando uma rosa, certÃssimo de que estava fazendo o lógico. Como com a frase da linha 23...
Upideite – pelo menos eu posso consertar. Com a rosa não teve jeito. A frase é: ...“ alojado num prédio muito grande, formado por fiacres, automóveis, ônibus, etc., em movimento constante, passando muito rápido um pelo outro, um em cima do outro, um embaixo do outro, e só se pensava e falava em tarifas, baldeações, conexões, gorgetas, direction Pereire, dinheiro falsificado, etc."
Sábado, Abril 24, 2004
??????
Endoidou tudo! Tento entrar na Cora e abre uma janela me ameaçando com “este arquivo pode conter...blablablaâ€�. Na Teca, os comentários, mesmo apontando 3 ou mais comentários não tem nada lá, posto minha opinião e nada! Na Ginika – acho que agora está tudo certo – mas os comentários repetiam e repetiam. Coloco o velho Comentar de guerra aqui e dá “erro na páginaâ€� e o sujeitinho não aparece. Vou na Meg, - isto há três dias – não vejo nada além de uma rosa, linda por sinal, com um gudibai, como se o blog tivesse saÃdo do ar. Eu tenho comido uns cogumelos do sol...pode ser isto???
Quinta-feira, Abril 22, 2004
MARIA VAI COM AS OUTRAS
Peguei no Mundo Podre, que pegou do Sopa (de mim), que pegou na Fal que pegou na Mel, que pegou na Dani, que pegou no Delfin:
Instruções:
1. Pegue o livro mais próximo de você;
2. Abra o livro na página 23;
3. Ache a quinta frase;
4. Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.
Bom, o meu deu o seguinte:
“[...] alojado num prédio muito grande, formado por [...]
Do livro Sonhos de Kafka, o que não quer dizer nada, mas poderia. Acho. Ou não?
Quarta-feira, Abril 21, 2004
OUTRA DIMENSÃO
Essa coisa de comunidade virtual não é de jeito nenhum, maneira de falar. Existe sim, e está em algum lugar. Não, não, não faça essa cara de quem está careca de saber do que estou falando. Não é exatamente isso que você está pensando. Pelo menos penso que não. Então. Quando pela primeira vez entrei numa sala de bate-papo, não foi difÃcil, nem sequer tive que fazer nenhum esforço, me sentir na sala.
Uma sala quadrada, com paredes, não observei bem se havia janelas, mas suponho que sim, porque havia pessoas que ficavam no parapeito, do lado de fora, observando. Porta havia sim, é por onde entravam as pessoas de nomes engraçados, bem mais bonitos e originais que os seus da vida real. Por um nome era quase possÃvel desvendar a personalidade. Não a personalidade de PatrÃcia ou Ângela, mas de Anjinh@ e Eumesma.
Havia os que ficavam no cantinho, calados, misteriosos. Até sem nome, o que a princÃpio achava muito engraçado, mesmo sabendo depois que, com um código no lugar do nick, qualquer um podia entrar, e ficar assim. Não anonymous, com aquela máscara irritante e desleal por falta de nick, mas alguém de sobretudo inglês, encostado na porta, com um sorriso muitas vezes cÃnico nos lábios.
Os biscoitinhos existiam sim, naquela forma enroladinha do arrouba, e tinham gosto. Podiam ter até erva doce, temperando. Os drinks, a música no ar que alguém colocava, às vezes a gente até dançava como antigamente, e era doce. E muitas vezes tomava um pileque. Nada tinha assim uma forma concreta e definida, nem as pessoas, aliás, muito menos as pessoas, mas existia e tudo estava em algum lugar. Em um ponto geográfico. Um lugar em algum lugar. Talvez seja isto que alguns chamam de outra dimensão. Não sei qual é , mas é uma outra dimensão, onde as coisas existem não exatamente como estamos acostumados a vê-las e senti-las. E a Cinderel@ não era exatamente a Maria das Graças Pereira. De jeito nenhum. Nem o Anjo dos Olhos Verdes era José Maria da Silva. Mas nunca!
Daà o desencanto de muitos quando se conheciam nesta outra dimensão. Como é que alguém pode querer encontrar Cinderell@ num bar do Shpping? O que vai encontrar é Maria das Graças que pode ser inteiramente sem graça. E um José Maria que não tem nada de anjo, muito pelo contrário.
O que acontece no meu cérebro não sei. Sei que quando entro aqui, as coisas mudam. Isto aqui existe fisicamente. É um lugar em algum lugar. E quando vou no Carta estou indo num vizinho que fica aqui bem pertinho. A Ginik já mora um pouco mais longe, mas fica bem pertinho da Teca. A Gisela, para chegar lá, às vezes enfrento trânsito e muita neblina. A Meg fica pertinho daqui também, mas tem uma escadaria danada lá e muita gente que não conheço na sala. E eu fico meio sem jeito. A Tereza ( de minas) não mora em lugar nenhum, e acho que ela é uma espécie borboleta ou abelha, melhor, que vai colocando um pouquinho de mel em cada casa. O Matusca, vive mudando de casa, onde pouco vou, porque lá tem uma multidão, gente demais, chego e volto da porta. Para ir ao Pedro, tenho que pegar um elevador, o prédio é imponente, mas ele não abre a porta. Tenho que entrar pela janela. Não me perguntem como. A All about Eve, arrumou as malas um dia, e bateu em retirada, deixando muito poeira pelo caminho, tão rápido ia. E voltou. Arruma a casa, parece que passou uma temporada num misterioso mundo novo, e alguma coisa mudou. E assim vai. Não vou falar de todas as impressões de todas as pessoas que conheço ou conheci, porque daria um livro de trezentas páginas. E alguns moram muito longe.
Uma coisa muita boa deste lugar é que eu falo, falo, vocês me ouvem e até, me respondem, imagine. Na outra dimensão, falo muito pouco e baixo, daà não me escutarem na maioria das vezes. Geralmente fico num canto, com um sorriso meio cÃnico, ouvindo ou não ouvindo, e ninguém está muito preocupado em saber a minha opinião. Mesmo porque, se forem homens estarão muito ocupados em observar se as minhas pernas são dignas de atenção e, se forem mulheres, se a cor do meu cabelo é louro bege da Imedia ou da Koleston.
Eu devia ter escolhido outro nick para entrar na vida.
Domingo, Abril 18, 2004
AVE, EVE!
E All about Eve voltou! Tá lá no Mundo Podre. E sendo hoje domingo, dia de morgar sem culpa, vou ali assistir o Faustão. Nem domingo eu posso ficar à toa sem pagar um preço. E que preço. Amo ocês!
PS. Que diabo é isso aà em cima nos anúncios? Falta de assunto? Ou de anúncio? No Fricotes tá certinho, isto é, tem anúncio novo.
Sábado, Abril 17, 2004
COISA & TAL
Ficar sentada nesta cadeira tem sido mais doloroso que andar com sapato apertado e unha encravada. E isto não é uma figura de linguagem. Tome ao pé da letra. Lombalgia. Aquela coisa sinistra que te faz preferir ficar em pé só para não ter que, de vez em quando, levantar. Eu, que faço parte da confraria dos que afirmam com convicção: “se eu posso sentar porque vou ficar em pé?�, quando vejo uma cadeira, poltrona, sinto uma fisgada no lombo. Tentei teclar de pé – não com o pé . Não dá. Definitivamente para digitar tenho que sentar. E não é exatamente este o problema. O problema é levantar.
Mas já estou melhorzinha, obrigada. Graças à minha irmã terapeuta alternativa que me tascou nas orelhas umas sementinhas de ... de que é mesmo? Já consigo me mover e até levantar. E de alguma maneira isto me serviu para tomar consciência da minha região lombar, absolutamente esquecida. Nem sequer rezo por ela, veja você.
Mas não é bem isso que eu queria dizer. Estou aqui, heroicamente sentada para lhes falar da Caneca da Kel. A Kel eu já conhecia também em alguns comentários. Só hoje fui lá ver a Caneca. Olha só uma mostra do que achei lá:
Provérbios "High-Tech"
Hacker que ladra, não morde!
Mais vale um arquivo na mão do que dois baixando..
Memória não é documento!
Melhor prevenir que formatar.
O barato sai caro e lento...
São 55 provérbios! Vai lá procê ver.
E aà fui tomar uma sopa e:
“Dia inteiro dedicado a um treinamento sobre diversidade no ambiente de trabalho. Discriminação, preconceito e assemelhados. Triste saber que ainda se precisa treinar as pessoas para lidar com esses aspectos. Muito triste.� Sopa altamente nutritiva!
E aà fui dar uma bisbilhotada no Peregrino Aprendiz e li a introdução do novo livro do Pedro. Como ele não me deixa copiar parte desta introdução, colo aqui o que gentilmente me cedeu – cliquei com o direito e apareceu o copy, logo ele me concedeu o direito, pois não?
“...para mim, o envelhecer é uma oportunidade. Por meio desse processo inexorável posso me conhecer, refletir, gritar, amar, silenciar, deixar o amor entrar e a compreensão abrir espaços dentro de mim. Eu sou a favor do envelhecer porque sou a favor da vida.�Não sei se me consolei, mas ler o Pedro dá uma certa dignidade ao inexorável...
E agora, com licença que a minha bengala caiu a uns dois passos de mim . �i, meu Deus!
Quarta-feira, Abril 14, 2004
PONTO
Certas coisas me incomodam sobremaneira. Ou me deixam com um gosto esquisito na boca, como quando comia caju e achava doce mas me colocava na garganta um incômodo, um incômodo travo. Um médico, velho, o bastante para ter no olhar aquele azulado de solidão e catarata, num consultório de periferia, com as mãos trêmulas de Parkinson, cobrando dez reais a consulta de clientes que ele arrebanhava na porta do consultório. Me diz, você que entende de esperança: que merda de vida é essa?
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E não é só isso. É essa montanha que eu subo e desço todos os dias sem saber porquê. E as pessoas que encontro pelo caminho, desfiguradas de tempo e dor. Quem pode ser feliz, se vê?
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Ela me disse que matava gatinhos com prazer. Eu lhe disse que a invejava muito. Quem mata gatinhos com prazer pode passar por tudo sem sentir dor. Inclusive viver.
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Vi uma entrevista com a Lia Luft ontem. Ela me parece uma mulher despudoradamente feliz. Fiquei pensando se ela mata gatinhos, mas acho que não. Vou ter que ler alguma coisa dela para descobrir como pode ser feliz, se pensa.
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Quando eu vi Mad Max tive uma intuição: o futuro seria assim, mas não pelos mesmos motivos. Só não esperava que fosse tão rápido. Há menos de dez anos a lua entrava pela minha janela aberta. Hoje ela faz quadrados pelo chão, partida pelas grades como pedaços de queijo. Começo a ficar com medo.
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E saibam todos que a minha conta no Google adSense, em três dias, está com U$12,75!! Eu não preciso matar gatinhos para ser feliz! Eu só preciso de amigos. Uahahahauauaua!
Segunda-feira, Abril 12, 2004
DESCONFORTO
O desconforto. A dor. A incerteza. A tristeza. O absurdo. O descompasso.O passo lerdo e incerto de um bêbado de esperanças ou nem tanto. Beber de um só gole ou não beber. Beber devagar como quem tem medo de terminar o vinho, apesar de tudo, azedo, por mal guardado,de boa safra, perdido, como qualquer cachaça sem nome.
Tolice requentar o café que sobrou ou guardar o pão-de-ló para amanhã, já sem sabor. Armazenar o grão para outra colheita como se faz com o amor o a felicidade, azeda e requentada.
Minutos perdidos para sempre além do infortúnio num perplexo anseio pelo futuro que não existe, que tanto promete e nunca cumpre, por falta de circunstancias futuras.
Guardar com dor a fantasia de um passado que nunca se repete, porque o tempo é um novelo já desfiado e tecido e não se encontra o fio da meada, e até a moeda, no poço dos desejos, era falsa, como os juramentos eternos.
E nada se cumpriu como se previa ou devia, porque nada se cumpre, a não ser a morte. Simples e claro como água nascente, mas só se vê bem à distância, poluÃda pelos cadáveres dos bichos que não pensam e que, por isso mesmo, foram mais felizes do que os homens, que se perdem nos cumes das montanhas, infelizes.
A forma do amor é hexagonal, e não se conhece mais que uma faceta ou duas; as outras, como a face oculta da lua, escondem o hediondo ou o perfeito.
E só vai saber delas o astronauta que não tem medo do escuro, nem de longas distâncias jamais percorridas. Esses, são raros como as papoulas, e só nascem de um outro lado do mundo que ninguém conhece, muito menos eu. O resto é tão banal como ratos, lagartas e formigas e parece ter antenas, como as baratas, que coordenam sua direção, sempre a mesma afinal.
O descanso no bueiro fétido é o repouso do guerreiro que se satisfaz com isso e não sabe bem o que é felicidade.
E nem se interessa.
Sábado, Abril 10, 2004
OLHA AI!
Lá na Cora vi e li sobre os anúncios do Google e então...bem, estão aà em cima. São anúncios que pagam por click. Mas eu não posso de maneira nenhuma pedir a ninguém que clique nos anúncios, só por causa da minha precária situação econômico- financeira, porque está no contrato que não devo fazer isto. Se você clicar num desses anúncios, eu ganho alguns cents. É assim que funciona. Acho que isto eu posso falar. Posso colocar o código em todas as minhas páginas e fiz isto no Fricotes, no Bootcastle e vou colocar também no Design e nas outras. Deus lhe pague.
Quarta-feira, Abril 07, 2004
DOR!...
Estou com uma dor de cabeça dos diabos. Não é uma dor que dói e não se sente...é uma dor que dói e eu sinto. Muito. Há dois tipos de pessoas que eu invejo doidamente: as que nasceram podres de ricas e as que nunca tiveram uma dor de cabeça na vida. E os caras - de - pau ainda dizem isto com a cara mais limpa do mundo! Se pudesse escolher em que categoria me incluiria é claro que escolheria a primeira. Teria me evitado muita dor de cabeça. Além do mais, se fosse podre de rica, se estivesse com a dor de cabeça que tenho hoje, estaria debaixo das cobertas, com um leptop, e teria alguém, regiamente pago, para fazer tudo aquilo que não consigo fazer sem chorar de dor. Como pensar, por exemplo.
Não quero parecer sádica, mas gosto de descrever com minúcias a sensação de que se pensar mais forte um pouco, meus miolos vão sair pelos ouvidos. Odeio aquela propagando do careca com um estopim no alto da cabeça. Propaganda falsa. A cabeça dele estourou sim!
Domingo, Abril 04, 2004
MEU CARO AMIGO
É assim que eu sou, W. Foi nisto que me transformei. Não sei se é agradável um outro modo de vida. Nunca experimentei e não sei se suportaria. Os outros me cansam. Não me diga, como eles, que preciso sair, me envolver, conhecer gente, ter amigos. Foi a minha escolha. Não afirmo que às vezes não tenha desejos de ser diferente. Tenho. Mas passa rápido e continuo sem entender porque estranham o meu comportamento. Eu não estranho o deles.
Você se lembra quando, inocentes, nos perguntávamos porque havia um dia na semana em que todo mundo saia, ia para um boteco, bebia, conversava e voltava para casa de madrugada, certo de que tinha feito o que deveria fazer? E acordava com ressaca na manhã seguinte, certo de não poderia ter feito outra coisa? Quantas vezes fizemos a mesma coisa? Me lembro de uma noite de sexta feira, como robôs programados, você esperava que eu terminasse de escovar os dentes e até me apressava um pouco, como se estivéssemos perdendo tempo. E de repente parou, olhou para nada e perguntou:
- Nós temos mesmo que sair?
-Claro que nós temos que sair! O que vamos fazer se não sairmos?
-Não sei...acho que podÃamos ter escolha...
Então eu pensei na minha cama, estava frio, e nada me parecia mais agradável do que estar debaixo das cobertas, talvez fazendo nada. Passou rápido. Eu tinha que sair. Era sexta feira, Você acabou indo, mas eu percebia que alguma coisa tinha mudado.
O que fiz afinal foi isto, W. escolhi ficar debaixo das cobertas. E não estou perdendo nada. Naquela noite, também não terÃamos perdido nada.
E não estou certa de que tÃnhamos escolha.
Sexta-feira, Abril 02, 2004
A INVENÇÃO DAS OPERADORAS DE TELEFONE.
Quando Graham Bell inventou o telefone não imaginava a dor de cabeça que teriam os usuários alguns anos depois, quando surgiram as famigeradas operadoras do dito cujo. Bom homem, de princÃpios retos, suponho, teria desinventado rapidamente este meio eficaz e simples de comunicação. Tão simples que, para as operadoras, é muito difÃcil, senão impossÃvel, especificar para onde foi que você fez as inúmeras ligações. Mas é muito fácil cobra-las mesmo assim. Dane-se você e eu, com essa mania singular de ficar o tempo inteiro com as orelhas e as bocas pregadas no telefone. Pelas minhas contas, eu nem durmo mais, tanto tempo fico fofocando no aparelhinho maldito, tantos são os números dos pulsos excedentes na minha conta. Mas isso não vem ao caso.
O caso é que inventaram a Telemar, e desta eu posso falar porque sou uma beneficiária deste terrÃvel invento. A intenção primeira era controlar e cobrar pelas suas/nossas conversas. Literalmente, você pode conversar fiado o mês inteiro. A conta só vem no final. Boazinha, a operadora. E muito gentil, porque por causa dela foram inventados os primeiros telemarketings, aqueles robôs desalmados – evidente – que são programados para dizer alguma coisa como “ o sistema não acusa recebimento, etc e talâ€� ou pior, “senhora, disque a opção 4 e boa tardeâ€� ou ainda pior: ‘senhora, vou transferi-la para o setor adequadoâ€�.
Há alguma coisa errada no sistema que nunca funciona direito e você nunca acerta o alvo de primeira. Para conseguir falar alguma coisa precisa usar de artimanhas e estratégias dignas de um general de guerra. Mas também não vem ao caso. O certo é que inventaram a Telemar com o intuito de infernizar a vida de quem precisa de telefone. Antes dela, aqui pelo menos, existia um invento divino, quase perfeito, a Telemig que nunca deu trabalho e era de uma perfeição assustadora. O termo privatizar lhe diz alguma coisa? Aqui, com relação à Telemig, me diz sim: é o inferno!
Agora inventaram um tal de Plano 100. Você paga uma certa quantia por mês, a assinatura, e tem direito a 100 pulsos/mês. O que quer dizer pulso só a Telemar deve saber. O plano é bom. Eu é que não sei usar, dizem. Além de uma certa ansiedade causada pelo número restrito de ligações – você fica o tempo inteiro monitorando o pessoal da casa, espionando, interferindo, não há nenhum outro efeito colateral, a não ser o de ficar subitamente sem telefone. “Não há nada errado, senhora. Seus 100 pulsos se esgotaram.â€� Em três dias? Com toda a vigilância? Como? ImpossÃvel. ImpossÃvel é você acreditar que a Telemar vai lhe dizer onde foi que você gastou os 100 pulsos. Ela não sabe! Como a Telemar não sabe, suponho que o Marcelo saiba.
-Ô mãe, se a Telemar não sabe eu é que vou saber?
Certas coisas são mesmo insondáveis. Preciso ser mais resignada.
Quinta-feira, Abril 01, 2004
O MUNDO MUDOU!
Exagero um pouco, mas o Brasil mudou. O Lula virou os olhos pra banda de cá e decretou que o SUS será substituÃdo por um sistema de saúde realmente eficiente. É claro que teve a solidariedade de todos os hospitais e médicos do paÃs. Ficou decidido que, cada um, médico e hospital, dará atendimento a determinado número se pacientes/dia sem cobrar. Um sistema altamente computadorizado receberá por telefone as solicitações de consulta e o próprio sistema determinará onde será atendido o paciente. O paciente não precisará enfrentar mais filas nem mesmo precisará morrer nelas. E mais! Essa ligação é gratuita.
Ficou decretado também que será crucificado e torturado aquele que negar atendimento ou tratar com desprezo o solicitante de atendimento, o que pareceu a muitos, uma atitude drástica e não adequada a uma democracia, mas eu, pessoalmente, achei muito bom.
Subitamente, as filas de desempregados desapareceram e está todo mundo mais ou menos empregado. Os juros caÃram e o Brasil vai como um trem bala para o pregresso e a ordem.
Cachoeira revelou que existe sim um corruptor mas não é de maneira nenhuma quem vocês estão pensando que é. Inclusive deu o nome do bandido que é totalmente desconhecido. Parece que nem é brasileiro. E todo mundo acreditou e os Bingos serão reabertos hoje ainda.
O avião novo da presidência será vendido e a resultado da venda revertido para o Fome Zero. Aquela história de que parte do dinheiro arrecadado para o Fome Zero foi para pagar os juros da dÃvida externa está definitivamente esclarecido. Não foi não.
Aquela propaganda do Pt ou algo similar, dos 50 consultórios dentários abertos no paÃs, foi puro engano. São na verdade 50.000, só para começar. Portanto pode parar de rir. Ou começar.
Ficou decidido também a liberação do uso da maconha, coca e derivados, e o crime organizado está totalmente destituÃdo do fundamento. Consta que a maioria dos traficantes se suicidou e grande parte está se preparando para abrir seu próprio negócio, agora regularmente lÃcito e pagando impostos. Tudo que era antes gasto na guerra contra o tráfico será revertido em prol de uma sociedade mais justa. Quem fumava, cheirava e coisa e tal continua fazendo a mesma coisa e quem não também, o que era de se supor.
O horário eleitoral gratuito continua sim, mas será usado entre as 4 e 6 da matina.
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1º DE ABRIL, CAMBADA!


